TEXTO LITERALMENTE VIAJANDÃO

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De fardos fez-se o existir sobre a Terra. Pesos, cargas, cruzes que oprimiam e estancavam o cidadão. Eram vozes, sons, palavras e gráficos que a todos atordoavam. Luzes, imagens, políticas, economias… Era um mundo de dores. E também de amores – que a todo dia de dentre as entranhas da biomassa do planeta surgiam novos flertares, frescos trançarem-se que faziam com que toda a horda de viajo-habitantes se multiplicasse e subsistisse.

Assim eram as coisas, viajando pelo espaço à estonteante velocidade de 30 quilômetros ao segundo – ou 108 mil por hora. Um segundo… zuuuuut… 30 quilômetros se passaram. Mas disso os terráqueos não se apercebiam. E sequer do fato de que não importa em qual latitude estivessem, sempre se sentiam em pleno plano horizontal, perfeitamente nivelados ’inda que por vezes em posições antípodas. Os que no equador se encontravam, aos 30 por segundo em torno do Sol acresciam 1666 por hora em torno do eixo da própria Terra. E nem uma brisa mais forte soprava, a tarde corria mansa e tépida num poema de azuis e amarelos por sobre um fundo verde.

“A Terra é azul”, disse o primeiro homem no espaço. Mas vista de dentro ela era verde. Na aurora dos anos 2000 era uma onda verde que a englobava, num crescendo tonitruante de rangeres dos tempos. Prenunciava-se a era do eco. A Ecoera, como a denominaram, por serem os ecos de um passado sano, que equivalia como a que à terceira idade dos homens. Uma desesperada tentativa de se estancar as sangrias e fechar as feridas, última água no deserto antes da evanescência do ser, este de volta ao porto de onde viera. Ou rumo ao nada, sem norte, nível ou aprumo.

Girando, girando no espaço. Como uma bailarina, num palco infinito…

Rodopiando e voando toda sua graça. Radiante e decrépito, estanque e girante era o planeta, que por cúmulo de zêlo da arte da dança tinha ainda em torno de si as evoluções da Lua.

Decantada lua já não mais virgem, onde nada nascia, nada se ouvia, nada havia e no entanto existia. Pisá-la foi possuí-la, mas não toda… que sua modesta massa de um octogésimo daquela da Terra ainda era de respeitáveis 81 bilhões de toneladas.

Seria o primeiro destino da humanidade no espaço, o próximo após os exíguos compartimentos de uma estação espacial internacional que há anos flutuava na estratosfera da Terra. E o segundo seria Marte, o primeiro planeta, o mais próximo, o vizinho, no qual nada nascia, nada se ouvia, nada havia e no entanto existia. Minto, agora existiam artefatos criados pelo homem, tendo desta fabricação participado muita mulher. Satélites, Jeeps, robôs movendo-se em torno de um corpo irmão, que se move com a Terra, que se move em torno do Sol, que se move em torno do centro da galáxia, que vem a ser a Via Láctea, nome leitoso e delicioso, como soem ser os produtos do leite.

Buracos negros sugando a matéria. Esta concentrando-se a ponto de esmagar os átomos, fundir prótons e elétrons, fazendo daí nascer estrelas de nêutrons, onde a densidade é tamanha que 1 cm3 de seu material chegaria a pesar bilhões de toneladas. Porque o átomo é vazio, sendo seu diâmetro 100 mil vezes maior que o diâmetro de seu núcleo. E por ser uma esfera 1 milhão de bilhões de seus núcleos nele caberia. E o estranho é que deveras cabem, quando a pressão é suficiente, resultando ser a estrela de nêutrons matéria comprimida extrema, a um passo de implodir num buraco negro.

Não sei dizer qual destes dois cósmicos objetos considero o mais fascinante: se o buraco negro, onde tudo virou-se do avesso, ou a estrela de nêutrons, este último estado, estágio de uma matéria que ainda nos é familiar. Mas acho fascinante ver-nos girando em rotação, girando em translação e levando 200 milhões de anos para girar ainda em torno do centro da galáxia, ponto que situa-se a 30 mil anos-luz, na direção da constelação de Sagitário.

E a Via Láctea, em torno do que girará?

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O SMARTPHONE

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Basicamente, o que diferencia o smartphone de um simples celular é o fato de o primeiro oferecer inúmeras outras possibilidades de utilização que não a função de telefone móvel, o que o torna muito mais útil do que um canivete suíço.

Algumas funções possíveis:

 

FUNÇÕES OFFLINE (uma vez instalados os devidos aplicativos):

 

* Ábaco

* Adormentador de bebês

* Acelerômetro

* Afinador de instrumentos

* Agenda de compromissos (com alarme)

* Agenda de contatos

* Álbum de fotos / vídeos

* Álbum de músicas

* Amplificador de áudio (com grande limitação…)

* Ampulheta

* Anemômetro

* Apito de caça (simula vários animais)

* Bateria virtual

* Bichinho virtual

* Bloco de notas

* Bússola

* Buzinas virtuais (elétricas e a ar)

* Caderneta de vacinação do portador

* Calculadora (básica e/ou científica)

* Calculadora aeronáutica

* Calculadora de áreas

* Calculadora de combustível

* Calculadora de desgaste dos pneus

* Calculadora de fórmulas elétricas

* Calculadora de gravidez

* Calculadora de idade (em anos, meses, dias, horas, minutos e segundos)

* Calculadora de IMC (Índice de Massa Corporal)

* Calculadora de quantidades de carnes e bebidas para churrascos

* Calculadora de tempo de vôo

* Calendário (atual e/ou perpétuo)

* Câmera fotográfica (alta resolução, com estabilizador, timer, foco e íris automáticos)

* Central de entretenimento (jogos em solitário)

* Código Morse (sonoro e/ou luminoso)

* Computador (com grande limitação…)

* Contador estatístico (de passantes, veículos etc.)

* Controlador parental (tempo dispendido ao smartphone por crianças)

* Controle remoto universal (inclusive de drones e pequenas aeronaves)

* Conversor de fotos em vídeo

* Conversor de medidas

* Conversor de medidas de pressão

* Conversor de medidas para cozinha

* Conversor de moedas

* Conversor de voz em texto

* Cronômetro

* Dado virtual

* Decibelímetro

* Despertador múltiplo (pode tocar várias vezes ao dia)

* Detector de atividades paranormais

* Detector de madurez de melancias

* Detector de metais

* Diapasão

* Diário de bordo

* Diário pessoal

* Dicionário analógico de palavras afins (Thesaurus)

* Dicionário de rimas

* Dicionário multilingual

* Dicionário português-outras línguas

* Dicionário português-português

* Disfarçador de voz

* DJ virtual

* Editor de áudio

* Editor de fotos / videos

* Eletrocardiograma (com grande limitação…)

* Equalizador

* Espelho

* Esquadro

* Estimulador de bexigas lentas

* Ficha médica do portador

* Filmadora (alta resolução, com estabilizador e reconhecedor de rostos)

* Flash

* Fotômetro

* Galeria de efeitos sonoros

* Galeria de efeitos visuais

* Gerador de números aleatórios

* Gerador de ondas sonoras

* Giroscópio

* Globo terrestre (e de outros corpos astronômicos) virtual

* Goniômetro

* Gravador de chamadas

* Gravador de voz

* Higrômetro

* Inclinômetro

* Identificador / paleta de cores

* Instrutor de arte culinária

* Instrutor de cantos para pássaros

* Instrutor de educação física

* Instrutor de nós em gravatas

* Instrutor de yoga / meditação

* Karaokê virtual

* Lanterna (dimerizável)

* Leitor / reconhecedor de palmas de mãos

* Leitor / reconhecedor de impressões digitais

* Leitor / reconhecedor de íris

* Leitor automático de textos

* Lista de compras

* Localizador do (seu) carro

* Luneta (com grande limitação…)

* Lupa

* Luz estroboscópica (com intervalo regulável)

* Luzes chamativas de localização

* Manual de primeiros socorros

* Manual de sobrevivência

* Medidor de passo de rosca

* Metrônomo

* Microfone

* Moeda virtual (para disputas de cara ou coroa)

* Monitor de desempenho sexual (com grande limitação…)

* Monitor de doações de sangue

* Monitor de frequência cardíaca

* Monitor de funções intestinais

* Monitor de níveis glicêmicos

* Monitor de ingestão de água

* Monitor de ingestão de calorias

* Mouse

* MP3 player

* Nível

* Odômetro

* Organizador de despesas / finanças

* Origami virtual

* Painel de leds

* Pedômetro

* Pen-drive

* Pistola de aferição de velocidade em autoestradas

* Placar esportivo

* Planilha eletrônica

* Pré-visualizador de ambientes a serem construídos

* Pré-visualizador de ambientes a serem pintados

* Pré-visualizador de penteados e cortes de cabelo

* Prumo

* Receptor / Emissor de NFC (Near Field Communication)

* Régua

* Relógio (local e/ou mundial)

* Repelente de mosquitos

* Roleta virtual

* Roteador

* Scanner (com função OCR – Optical Character Recognition)

* Sensor de proximidade

* Sensor magnético

* Simulador de chamadas entrantes falsas

* Simulador de head-up display (para o pára-brisa de automóveis)

* Sismógrafo

* Tabela menstrual

* Tabela periódica dos elementos

* Tábua de marés

* Teclado alfabético

* Teclado musical virtual

* Tela para pintura a dedo

* Telêmetro

* Temporizador

* Termômetro ambiente

* Termômetro clínico

* Tradutor (em texto ou tempo real)

* Transferidor

* Trena

* Vibrador

* Vibrômetro

* Webcam

* Zoom (com grande limitação…)

 

 

FUNÇÕES ONLINE (necessitam de conexão de internet e/ou sinal de celular e/ou GPS):

 

* Alinhador de parabólicas

* Altímetro

* Assistente emergencial (botão de pânico)

* Babá eletrônica

* Banco virtual

* Barômetro

* Bússola 3D com realidade aumentada sobre mapa virtual

* Cadastro nacional de veículos roubados atualizado

* Calculador de pedágios

* Câmera de vigilância

* Central de entretenimento online (jogos com adversários)

* Chamador de comida delivery

* Chamador de motoboys

* Chamador de taxis / UBER

* Comparador de sinal das operadoras de celular

* Construtor de aplicativos

* Consultor de CEPs (Código de Endereçamento Postal BR) atualizado

* Detector de movimento remoto

* Enciclopédia

* Escuta de aeroportos

* Escuta de bombeiros / polícia

* GPS (com função de evitar tráfego)

* Guia de entretenimento (cinemas, teatros e shows) atualizado

* Guia de medicamentos (bulas) atualizado

* Guia urbano atualizado

* Identificador de canções

* Identificador de chamadas (com identificação da operadora)

* Identificador de objetos (inclusive com função voz, para cegos)

* Identificador de obras de arte

* Identificador de vinhos

* Instrutor de idiomas

* Instrutor de reparos diversos

* Leitor de códigos de barras

* Leitor de códigos QR

* Leitor de livros, jornais e revistas

* Leitor de realidade aumentada

* Lista telefônica

* Localizador de água próxima

* Localizador de antenas transmissoras de celular próximas

* Localizador de bagagens extraviadas

* Localizador de banheiros públicos próximos

* Localizador de caixas automáticos próximos

* Localizador de condenados em liberdade próximos

* Localizador de descontos, ofertas, liquidações e preços mínimos

* Localizador de estações de rádio amadores próximas

* Localizador de estações de bicicletas públicas próximas

* Localizador de estacionamentos próximos

* Localizador de hotspots (pontos de wi-fi) próximos

* Localizador de ônibus urbano

* Localizador de radares de trânsito

* Localizador de vagas de estacionamento próximas

* Localizador de vendedores (legalizados) de cannabis próximos

* Localizador de vôos e de aviões em vôo

* Localizador do usuário (sua localização)

* Loja (várias…) online

* Mapa (local e/ou mundial)

* Mapa celeste/astronômico real time

* Mensageiro (por texto e/ou voz)

* Monitor de indicadores do mercado financeiro

* Monitor de TV / computador

* Monitor remoto de residências e/ou estabelecimentos

* Navegador de internet (banda larga)

* Pagador de dízimos

* Páginas Amarelas

* Planejador de viagens

* Previsão do tempo

* Rádio AM / FM

* Rádio intercomunicador

* Registrador de percursos (a pé, de bicicleta, moto, carro ou outro)

* Rastreador de celulares

* Rastreador de encomendas

* Rastreador de pessoas

* Rastreador de satélites

* Rastreador de veículos

* Tabela FIPE – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (preços de mercado de veículos) atualizada

* Tela de cinema (com grande limitação…)

* Telefone móvel (com viva-voz)

* Teleobjetiva (com grande limitação…)

* Token de segurança

* Velocímetro

* Visualizador de estradas

 

 

Estas são algumas das funções incorporadas no aparelho ou acessíveis online. No entanto, acoplado a acessórios ternos um smartphone pode transformar-se ainda em muitas outras utilidades, tais como:

 

* Alto-falante (com grande limitação…)

* Bafômetro

* Bomba explosiva

* Detonador

* Lanterna de luz negra

* Leitor de cartões de crédito e débito

* Microscópio (com grande limitação…)

* Monitor de funcionamento do veículo

* Óculos de realidade virtual

* Processador de exames para HIV e sífilis

* Projetor de imagens

* Sensor de produtos químicos

* Sirene

* Touchpad

 

 

E, claro, qualquer smartphone se presta ainda a ser atirado no gato, mas esta função não recomendamos.

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DO PÓ VIESTES

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Parecia um ser vivo: À frente da bicicleta a poeira cruzava a estrada em línguas que serpenteavam sobre o asfalto. Formava pelo solo figuras ondulantes que delineavam rios, correntezas… Um sublime espetáculo de se ver!

Não amainava porém a ventania. Antes recrudescia, uivava e chegava a meter medo! A poeira já cegava o sol e agora era tanta que havia o risco de engripar a corrente deixando-me ali, à margem da vida, longe de tudo na tarde fria do outono. Subindo do chão o pó invadia as narinas, sufocava fazendo os olhos marejarem. A garganta secara e eu tossia, a custo respirava!

Reunia forças enquanto lutava por vencer a violência das rajadas. Por aliada tinha somente a gravidade e dela dependia para forçar o pedal, carregando sobre ele todo o peso do meu corpo. Avançava girando as rodas metro a metro por dentre aquele entorno amarelo, opaco, tempestuoso. O cheiro fresco de chuva prometia lavar tudo o que de sólido houvesse. Mas o chão seguia seco.

E então o esforço e o medo juntaram-se para criar um humor de revolta. E urrei contra tal ataque hostil e o que estivesse por detrás daquele caos. Blasfemar em desatino no entanto iluminou em mim a ideia inusitada: “De inimiga a poeira não tem nada! Ela é sim a fonte de tudo! Envolto por ela integro a matéria-prima da qual o universo advém”.

Tal revelação foi como enxergar através do pó, ao de lá da atmosfera, para dentro do ambiente da galáxia. Vislumbrei a poeira preenchendo vastíssimas regiões do cosmo, vi-a aglutinar-se em torno de um ponto que crescia à medida em que girava. Vertiginosamente. Vi surgirem estrelas, vi-as agigantarem-se a ponto de explodir, vi-as explodirem e transformarem-se novamente em poeira – que em alucinante velocidade refluía para as profundezas do espaço.

Foi assim enxergando com olhos d’alma que logrei vencer aquele trecho inclemente do caminho, descobrindo-me outra vez num pedalar suave sob um céu ameno. E ali estava, louvando a poeira que vinda do infinito formava meu mundo e nele me permitia existir.

Não era à toa chamarem a esse mundo de “Terra”.

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UM GRÃO DE AREIA ?  

dedo e areia


Contando, ninguém acredita!

Foram bilhões de anos singrando o nada. Para ser exato 4,37 bilhões de anos desde quando o asteroide chocou-se contra o planeta e arrancou-lhe uma lasca que seria como a soma de uns dez Everests. Um naco imenso, de massa descomunal, saiu então sem rumo pelo espaço, algo como vários milhões de toneladas pelos padrões daqui. Mas naqueles extremos sem gravidade pesava nada… Só voava.

E foi atravessando os quilômetros, os anos-luz, ganhando mais e mais energia cinética à medida em que tangenciava outros planetas, outros sóis. Até que ultrapassou o último astro: tinha já tanta inércia que logrou atingir a velocidade de escape da galáxia, arrojando-se por fim na gélida escura vastidão do vácuo intergaláctico. Silêncio, nem um som. Além dele nada, nada absolutamente naquele ermo existia que não fosse a velocidade. E o tempo foi passando…

Sendo o espaço vazio, por mais povoado que seja, não encontrou obstáculo em seu caminho e os séculos se foram em milênios, os milênios se acumularam, fizeram-se eras e para o colossal rochedo o único a mudar era a velocidade que, devido à aceleração, cresceu quando ele resvalou numa galáxia elíptica.

Só foi chocar-se muito, muitíssimo tempo depois, quando estava a 1/3 de concluir a travessia da Grande Nuvem de Magalhães. Abalroou um satélite milhares de vezes maior do que ele e aí espatifou-se. Com a explosão, uma miríade de partes menores, cada uma em um rumo, dispersou. E pelo tamanho empuxo que a velocidade lhes conferia, muitas foram as que – uma vez mais – venceram a atração de uma galáxia.

Uma veio em direção à Terra! Não era grande, mas fendia o tecido espacial a uma taxa de 200 mil quilômetros por hora, rapidez que lhe possibilitou cobrir a distância de 160 mil anos-luz desde Magalhães àqui em pouco mais de 850 milhões de anos.

Cruzou a órbita da lua de forma tão efêmera que foi como se jamais ali tivesse estado. Invadiu a atmosfera terrestre e num átimo incinerou-se. Fosse pouco maior e teria causado um cataclismo! Mas seu tamanho restrito produziu nada mais que um clarão na noite e um estrondo que ninguém ouviu. Caiu no oceano.

Afundou até o chão do mar e aí seu movimento mudou. Agora já não avançava em linha reta, mas em qualquer sentido que o sabor das correntezas lhe impusesse. Outros sete milhões de anos transcorreram entre choques e entrechoques, até que do rochedo original não restou mais do que um único grão, que naquela tarde numa onda mais forte veio dar à praia.

Eu o reconheci assim que o vi, perdido entre a indistinta massa formada pelos grãos de areia. De imediato vislumbrei sua história, vastíssima, revi-a como num filme. E fiquei pasmo! Mas isso se deu devido à mediunidade, que é algo que tenho e que é a minha sina. Foi alguém do além a me revelar a imensa saga dessa ínfima soma de átomos. Quedei longo tempo a fitá-lo, ciente de que longo tempo era ali uma expressão que não fazia qualquer sentido.

Embora seja verdade, é algo tão inacreditável que, na verdade, nem eu mesmo acredito!

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O ARTISTA

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Se digo que pinto, minto

Se afirmo compor, desmereço louvor

Prá mim dança é chacoalhar a pança

Se tento a escultura… que triste figura

 

Se um canto eu emito, alguém fica aflito

Se toco um pandeiro, nem sou brasileiro

Piloto um bólido de encontro a um sólido

E jogo uma bola igual a um cartola

 

Que arte pratico, que me poupe um mico?

Que dom eu exerço sem rezar o terço?

 

Já na culinária cozinho qual pária

Na marcenaria não sei o que é tupia

Colagem prá mim é bobagem

E um romance está fora de alcance

 

Na esgrima não tenho obra-prima

Xadrez só tentei uma vez

Mas arte da vida faz parte

Minha dama conclama vocês!

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Confesso hoje me sinto só
Mas nem por isso mereço dó
O só em mim merece apreço
Comigo vai da morte ao começo

O só em si não suscita pena
É só uma sombra na vida terrena
Que segue dentro da vinda à partida
E torna pra mim a solidão querida

O só é sim a sina que eu quis
O sinto sempre, triste ou feliz
Sei que o sabor do sozinho existe
E de amargo e doce ele consiste

Não sei o sentido final do só ser
Talvez o desvende ao vir a morrer
Talvez algum dia ao me ver partir
A sombra me largue e me deixe ir

loneliness (1)2

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ENTE RECORRENTE

Gente, que coisa excelente… fiquei contente de repente!

Para um ente como eu, imprevidente recorrente, sem norte que me oriente e nadando contra a corrente, é fato sem precedente fazer-me assim sorridente.

Descrente do tempo presente, por tanta desgraça recente, eu acho assaz nutriente tal sopro de vento quente. Quem sabe não seja a semente de alguma melhora urgente que seja suficiente para abrir meu caminho à frente?

Sob a lente do sol poente sigo em paz, quase indolente, independente e irreverente, curando minh’alma doente de fala maledicente, de decepção latente, parasita residente ou qualquer mal preexistente.

Surpreendente a este vivente, já um tanto experiente, é esta alegria crescente que impudente sinto agora. Torrente intermitente que tal qual um entorpecente me torna mais consciente, jogando a tristeza fora.

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