Arquivo do mês: janeiro 2009

A VIAGEM A CARACAS

Logo de cara...

Logo de cara...

Sãos e salvos!

Sãos e salvos!

Terça-feira! Após um vôo curto proveniente de Cartagena, sobrevoávamos o litoral da Venezuela. Rente ao mar já se via o aeroporto e eu ansiava por pousar. Pousamos. Uêba, estamos num novo país. Chegando ao hall, quem nos aguardava? Sim, ele, sorridente e de braços abertos prá quem quisesse ver (e era impossível ignorar), ao lado da frase “Venezuela ha cambiado y ha cambiado para siempre”, ou coisa parecida. Hugo Chávez foi o primeiro venezuelano a nos recepcionar nesta terra. Fiquei comovido!

Llegando a Caracas

Llegando a Caracas

Hola, hermanos!

Hola, hermanos!

Quando no guichê da imigração o policial me perguntou em qual hotel iria ficar, respondi-lhe a verdade: “Todavia no lo sé. Lo voy a elegir quando llegar a la ciudad”. Ele pareceu não gostar muito da resposta, achei que o caldo iria entornar, mas foi condescendente. Disse: “Quando usted venga de nuevo en Venezuela, hay que tener lista la reserva en un hotel”. Ao que aliviado, respondi. “Por supuesto, señor! Muchas gracias” e, após carimbar a entrada no passaporte, saí dali para o saguão aberto do aeroporto de Maiquetía.

Bolivares fuertes (mesmo!)

Bolivares fuertes (mesmo!)

Taxis oficiais...

Taxis oficiais...

E já começaram meus problemas em Caracas. Fui tentar tirar algum bolívar de algum dos cajeros do aeroporto e… nada! Havia sete, não consegui em nenhum. Pensei, putz, fudeu! Sem a reserva de algum hotel, não tenho como sair do aeroporto assim… sem um puto no bolso. Mas lembrei que ao deixar o Brasil havia enfiado numa das repartições da carteira os reais que me restavam: R$ 200,00. Foi o que salvou. Fui a uma casa de câmbio ali mesmo e troquei-os por míseros Bs 140,00. Já comecei a tomar prejuízo antes mesmo de pisar na rua… Com a ajuda de um dedicado funcionário do serviço de recepção ao turista, consegui reservar por telefone um quarto no Hotel Altamira, distante dali uns 15 quilômetros. Tudo bem então? Nem tanto… o táxi “oficial” para chegar lá custaria Bs 170,00. Como fazer? Tomei um táxi “não-oficial” (lá tem disso), dos que têm a má-fama de espoliar estrangeiros incautos, e paguei Bs 130,00 até o centro. Apesar do risco, deu certo e ainda sobrou algum, mas foi caro.

Hotel Altamira

Hotel Altamira

Já estava encanado de tanto ouvir, na Colômbia, dizerem que Caracas é perigosa. Era uma boca só! Então na viagem do aeroporto até a cidade, aproveitei para inquirir o motorista, que era um magrelo calado. Para me reconfortar, ele disse que por questão de segurança nunca aceitava viagens para o centro à noite. Que beleza, legal! Havia lido na internet, num fórum sobre viagens, que o melhor de Caracas é a hora de ir embora… fiquei me perguntando… será? Ao ser deixado defronte o hotel, por via das dúvidas olhei para todos os lados antes de descer do carro. E instalei-me enfim no glorioso Hotel Altamira, no bairro de Altamira, onde por la mañana no hay desayuno. Estava preocupado sobre como meu VISA iria se comportar na manhã seguinte, e como eu iria conseguir comer algo aquela noite sem grana e sem crédito. O jeito era sair e tentar alguma idéia. Entrei no primeiro restaurante que vi e tomei o cuidado de explicar ao maître que só poderia ordenar o pedido se, antes, o cartão passasse na maquineta, porque não teria como pagar de outra maneira. Para minha surpresa, passou. E esta foi a primeira vez na vida em que paguei por um jantar antes de havê-lo jantado. Mas tive de comer 1/4 de frango com cerveja…  não exatamente minha refeição ideal.

Pollo a la cerveza

Pollo a la cerveza

by Burle Marx

by Burle Marx

Outro sulamericano

Outro sulamericano

Todo parque é bom!

Todo parque é bom!

Na manhã seguinte consegui o que queria: me entendi com as máquinas venezuelanas que, diferentemente das brasileiras, pedem para que sejam introduzidos os dois primeiros ou os dois últimos números da cédula de identidade. Como a minha termina num dígito isolado do número principal por um hífen, estava errando ao incluí-lo. Bem, aprendi e resolvi o problema de uma vez por todas. Ufa! Senti saudades dos velhos Traveller-Cheques. Enfim, listos para explotar la ciudad. E saí andando em direção ao leste pela principal avenida de Chacao, a Avenida Francisco Miranda.

O que incomodava era ter de olhar para trás a toda hora… Exagero, mas tava difícil relaxar, depois de tantos avisos. Após um café da manhã no Mc Donald’s (onipresente), acabei chegando num parque que parecia atraente, entrei. Qual não foi minha surpresa ao ler numa placa que havia sido projetado por Burle Marx (1909-1994), erroneamente identificado como o projetista de Brasília. Na verdade, ele foi o paisagista. Aquilo era uma razão a mais para conhecê-lo e então cai prá dentro, onde vi macacos (presos em ilhas) e esquilos (soltos nas árvores). Eram cerca de 11:30 da manhã, tudo estava muito legal quando os guardas vieram informar que o local iria fechar. Era o dia 31 de dezembro e a cidade preparava-se para o grande evento da noite… meio contrariado, porque ali estava gostoso, saí!

Rumo a Petare

Rumo a Petare

Petare I

Petare I

Petare II

Petare II

De volta à avenida peguei a primeira buseta que passou, com destino a um bairro chamado Petare. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que que é aquilo?? Nunca vi tanta gente por metro quadrado. Talvez nem na Índia haja tanto alvoroço. Na rua, as pessoas disputavam o espaço com os ônibus, os carros e as motocicletas, uma fumaça desgraçada. Entre gritos, buzinas e aceleradores o barulho era insano. Eu desviava de um pára-choques aqui, um pára-lamas ali… Não dava prá andar sem se bater à esquerda e à direita, havia uma moto atrás de mim. Uma coisa de louco. Na dúvida, tirei a carteira do bolso de trás e passei-a para o bolso da frente, estava com a idéia fixa de que era uma cidade insegura. Na verdade, e verdade seja dita, nada aconteceu durante todo o tempo em que estive na Venezuela. Mas tratei de sair logo dali, caindo prá dentro da estação do metrô mais próxima. E foi assim que conheci o metrô de Caracas, um sistema moderno embora os trens não passem esta impressão. Voltei pras áreas mais centrais da cidade, descendo na estação Plaza Venezuela, e voltando a pé pelo boulevard formado sobre a Avenida Abraham Lincoln.

Ufa! Fui...

Ufa! Fui...

Venceram as brancas

Venceram as brancas

Ali era agitado também, porém de forma civilizada. Trata-se de uma rua de comércio, mas há também lazer, como mesas fixas com tabuleiros de xadrez onde disputam-se partidas animadíssimas. Fiquei pasmo em ver a velocidade com que jogam, alternando toques no relógio, estapeando-o a cada dois segundos. Sendo hora do almoço, aproveitei para conhecer mais uma marca de cerveja, cujo nome não me lembro. E voltei caminhando a Altamira passando por Sabana Grande e Chacalito. Chegando ao hotel, enquanto descansava, mergulhei novamente nas vidas de Florentino Ariza e Fermina Daza, que a esta altura já era uma viúva inconsolável. Ou quase… Lendo, recostado no travesseiro, logo peguei no son…

QG

QG

Sabana Grande

Sabana Grande

À noite, sai para despedir-me de 2008, um ano que me foi muito promissor e pelo que lhe sou grato. Fui à praça entre as Avenidas San Juan Bosco e Luiz Roche, em Chacao (10°29′47.44″N 66°50′56.10″O), que era perto e estava apinhada de gente. Ali uma banda tocava músicas venezuelanas muito legais, que levantavam a galera. Lembrou-me de dois dos meus ícones artísticos, os grupos de música andina Tarancón e Raíces de América. Duas coisas me chamaram a atenção: a primeira o fato de que as famílias traziam de casa provisões para fazer piqueniques em mesas plásticas improvisadas. Torta da vovó, salgadinhos, Coca litro, toalhinha… Uma cena inusitada para quem não esperava algo assim… E a segunda, a fixação que este povo tem em fogos de artifício. Abriu-se uma clareira na rua e ali formou-se uma verdadeira chuva de restos de rojões que espoucavam colorida e tresloucadamente nos céus sobre nossas cabeças. Olhar para cima era temerário. Alguns falhavam e vinham detonar aos nossos pés. Nunca vi tamanha artilharia tão perto das pessoas. Achei aquilo um despropósito, mas tudo era festa e creio que o estrangeiro aqui era o único ser destoante no pedaço. Assim, esperei pela passagem do ano bebemorando com uma latinha nas mãos e fui embora dormir. Era o ano da graça de 2009, o ano em que eu completarei meio século sobre o planeta. Cáspita!

Bueníssima onda!

Bueníssima onda!

Reveillon com pic-nic

Reveillon com pic-nic

Zona de guerra

Zona de guerra

Esse foi fudido!

Esse foi fudido!

Na Venezuela há Bolivar (1783-1830) em tudo. Do aeroporto internacional Simón Bolivar em Maiquetía, vizinha à capital, aos valorizados bolívares que se gasta no cotidiano, passando pelo nome oficial do país: República Bolivariana da Venezuela, que chama a atenção nas capas dos passaportes. O grande libertador nasceu em Caracas e o país não perde uma oportunidade de prestar-lhe uma homenagem. Mas o homem foi grande mesmo, tendo sido presidente da Gran Colômbia, nação formada pelas colonias liberadas, e presidente ainda do Peru e da Bolívia, além de ter contribuído decisivamente para a independência das atuais Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Panamá. Um herói de verdade! Ou alguém aí conhece mais alguém que já tenha sido presidente de três países?

Na rua ou no congresso... só ratos!

Na rua ou no congresso... só ratos!

Já Cháves, cujo palácio vi de longe, tem investido mucha plata na vizinhança. São petrodólares prá Argentina, prá Bolívia, prá Cuba… e Caracas suja prá caraca! Fiquei me perguntando porque ele não arruma a casa dele antes de investir na dos outros. Falando em grana, ô terrinha cara! Além de um Real comprar somente 0,7 Bolívar, um prato de comida que em São Paulo custaria, digamos, R$ 20,00 em Caracas sai por uns Bs 25,00. Ou seja, um “realista” brasileiro perde duplamente. Ainda assim, teria tido prazer em gastar até mais para o desayuno no dia 1° mas, como eu temia, tudo estava fechado. Resolvi a situação num carrinho de perro-caliente! E esta foi a primeira refeição do ano. À tarde, o comércio começou aos poucos a abrir. Então o almoço pode ser um Mc Donald’s mas, surpresa, não havia carne. Como assim?? Um Mac Donald’s sem Big Mac ??? Si, señor. Hoy tenemos solamente productos de pollo. Porra, só mesmo na chavisticamente americanófoba Venezuela…

Santo Obama, rogai por nós!

Santo Obama, rogai por nós!

Los Cocos

Los Cocos

Los locos

Los locos

E sendo feriado decidi ir conhecer a praia (não que eu precisasse de um feriado para isso, estando em férias). Após informar-me, tomei o metrô e desci na estação Gatonegro, de onde saem as busetas para as localidades litorâneas. O trajeto não é longo… talvez uns 30 minutos até o mar. E chegando lá fui me deixando levar até onde me desse na telha de descer do ônibus. E isso aconteceu na praia de Los Cocos. Andei até onde o povo estava e estava tudo lotado. Sobre a areia, ao invés de guarda-sóis, havia longas cabanas de sapé onde as famílias se amontoavam, digo, abrigavam do sol do verão. Voltando pela avenida que margeia o mar, fui visitando várias praias e constatando que todas estavam entupidas de gente. Eram praias sem vegetação e para mim não muito atraentes. Foi então que tomei uma decisão: como ainda me restava uma semana de férias, decidi passa-la numa praia “de verdade”, no meu país. E para isso deveria antecipar minha reserva de volta.

El Capitolio

El Capitolio

Foi o que fiz na sexta-feira, dia 2, no escritório da Varig, remarcando minha passagem já para o dia seguinte à noite. Saindo dali, resolvi perambular pelo centro de Caracas, descendo do metrô na estação Capitolio. Andei a esmo

Centro Caracas

Centro Caracas

Se não está abandonado, parece!

Se não está abandonado, parece!

quase o dia inteiro, conhecendo uma parte muito bonita da arquitetura da capital, bem como alguns edifícios enormes que mais pareciam abandonados. O pior é que não eram… Foi nestas andanças que vi, ao longe sobre um morro, a sede do governo. Não estava a fins de ir até lá, então aproveitei para descansar as pernas pegando um cineminha. Assisti a Macuro – La Fuerza de un Pueblo, uma grata surpresa vinda do moderno cinema venezuelano. E já com a noite caindo topei com um grande shopping center em meu caminho de volta ao hotel. Aproveitei para jantar ali, em meio a uma multidão de gente, sobretudo jovens, que pareciam ter eleito aquele lugar como seu point.

Pico da galera

Pico da galera

Hacia el zoo

Hacia el zoo

No sábado, meu último dia em Caracas, tomei o metrô em El Silencio para ir passear no Jardim Zoológico. Estava lotado mas era fraquinho, com pouca diversidade de animais, alguns repetidos (só de caimans havia uns 4 tipos). E os indefectíveis piqueniques… famílias com comida por todos os lados… de longe, o animal mais numeroso era o humano. Passei ali a manhã e voltei pra cidade onde as nuvens pesadas, que estiveram sobre os cerros ao norte durante toda a minha estada, permaneciam inalteradas ameaçando chuva, que nunca vinha.

Só fico aqui até às 21:45

Só fico aqui até às 21:45

Ao final da tarde tomei um táxi para o aeroporto, onde fiquei matando hora por bastante tempo. Fui conhecer a ala nacional, que fica longe da internacional e me pareceu grande demais pruma nação tão pequena. À noite embarquei de volta à terra que me viu nascer e deixei para trás o que pude ver da Venezuela. Parti com a impressão de ter sido injusto para com o país, tendo conhecido somente a capital. Só por saber que é na Venezuela que se encontra a maior cachoeira do mundo estou seguro de que há muitas maravilhas interior adentro. Com relação à minha realidade, contudo, acabei por concordar com o bloguista anônimo que escrevera “o melhor de Caracas é a hora de ir embora”… Sorry, hermanos, soy sincero!

Time can bend your knees!

Time can bend your knees!

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A VIAGEM A CARTAGENA

Ao Caribe imenso...

Ao Caribe imenso...

Ciudad amurallada

Ciudad amurallada

De vuelta al pasado

De vuelta al pasado

Uau! Enfim o mar do Caribe! Quem sabe um dia ainda volto aqui no meu veleiro? Mas por enquanto só de poder conhecê-lo já está bom demais. Estamos no topo da América do Sul, numa das cidadezinhas mais charmosas do continente. Cartagena de Indias, patrimônio da humanidade, é uma aula de história e para conhecer seus capítulos basta ir ao Museu Naval, que foi a primeira fachada que avistei quando adentrei os muros da cidade velha. Mas àquela hora, sob o sol da manhã, queria mais – prá variar – era andar e andar por sobre os paralelepípedos centenários. Adoro isso! E a parte histórica, chamada de ciudad amurallada, é mesmo digna de uma exploração minuciosa.

Vale 1 quarteirão...

Vale 1 quarteirão...

Avidaté parece uma festa

Avidaté parece uma festa

¿Gafas chinas, señor?

¿Gafas chinas, señor?

Vaticano, filial 908

Vaticano, filial 9999

Na cidade velha de Cartagena, pela primeira vez, vi calles que tem o comprimento apenas do quarteirão. Ou seja, a rua tem um nome e no quarteirão seguinte já tem outro, embora sendo a mesma rua. E todas tem nomes pitorescos: Calle de la Amargura, Calle del Porvenir, Calle de las Damas, Calle del Cuartel, Calle Tumbamuerto… Pelas calles, antigos sobrados com balcões no andar superior, muitos com jardineiras, enfeitam a paisagem, tomada de turistas. Fiz força para não parecer um deles, mas não houve jeito… Señor, ¿Cambio, dolares, coca? ¿De donde viene usted? Me ofereciam de tudo, e eu a todos respondia com um sorriso e… !No, gracias! Seguia caminhando por entre outros gringos e românticas charretes puxadas por cavalos devidamente enfraldados para não sujarem as ruas, em direção ao próximo assédio.

Dei a volta...

Dei a volta...

Forte San Felipe de Barajas

San Felipe de Barajas

shhh... BUM!

shhh... BUM!

Pau nos invasores!

Pau nos invasores!

Rota de fuga

Rota de fuga

Neste primeiro dia andei pacas e achei tudo bem legal. São 11 kms de muros na cidade velha e para o leste, no alto de uma montanha, há uma fortificação (no século XVI os caras só pensavam nisso…), o Forte San Felipe de Barajas. Aproveitei a disposição e subi lá. Muito legal vivenciar assim de perto um pouco da realidade do passado. Havia guias revelando curiosidades para grupos de turistas, e de grupo em grupo ia eu, roubando uma informaçãozinha aqui, outra ali… Assim, aprendi que Cartagena foi a quarta cidade fundada pelos espanhóis nas Américas e que o San Felipe foi a maior edificação militar ibérica nestas terras. Era em Cartagena que a Espanha depositava e dali partia a maior parte da riqueza (ouro e pedras) descoberta, com destino a Europa. Sempre em frotas, para evitar o ataque dos piratas, que pululavam nestas águas. (Mas ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão, mesmo naqueles tempos, não é verdade?).

Fruta fresca!

Fruta fresca!

Calçada das guloseimas

Calçada das guloseimas

Parque de Bolivar

Parque de Bolivar

Tudo fake!

Tudo fake!

Descendo do morro fui conhecer o Museu de la Inquisición, que mostra um pouco dos suplícios a que eram submetidos os inimigos da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana. Mas é pouco mesmo, o museu deixa a desejar, sobretudo porque raras peças são originais, quase tudo é réplica. Apesar disso, tive uma tarde muito proveitosa, turística-histórica-esportiva – porque andar desse jeito não deixa de ser esporte pesado. Algo que me intrigou não só em Cartagena, mas em toda a Colômbia, é que os sanitários são pagos, mas nem por isso limpos. E falando em intriga, no país do café (… vá lá… um dos…), achar um cafezinho não é mole. Há uma rede de cafeterias, Juan Valdéz, que serve um bom café. Mas é a única com que me deparei e, ao menos dentro das muralhas de Cartagena, seus preços eram assaz salgados.

El Glória, à esq.

El Glória, à esq.

Bocagrande noche!

Bocagrande noche!

A cidade circunda uma grande baía. Há água literalmente por todos os lados e num destes cais estava ancorado o navio-símbolo da marinha colombiana, o veleiro Gloria, majestosamente decorado e aberto à visitação pública. Mas tão cheio de horários e regras que nunca dava certo visitá-lo. Contentei-me em admirá-lo de perto, uma nave que impõe respeito. E já caindo a noite, voltei para o hotel, em Bocagrande, e descobri que este é um bairro prá lá de agitado, com as calçadas tomadas de turistas – a maioria colombianos vindos de outras partes do país. Cartagena é deveras uma cidade alegre!

Tecnologia!

Tecnologia!

Estávamos próximos (uns 300 km) do Panamá. Algo que fui aprender ali é que não há ligação rodoviária entre a América do Sul e a Central. O que significa que a tão decantada Rodovia Panamericana é uma quimera. Na verdade entre a Colômbia e o Panamá o que há é uma floresta de uns 100 quilômetros, fechada e pantanosa, por enquanto instransponível por via asfaltada. Para entender melhor a situação geográfica da região, entrei num cyber café e estudei as fotos do Google Earth. E fotografei a tela para ter o mapa comigo no celular, porque ali não havia conexão TIM para acessar diretamente o Google Maps.

Beira-mar

Beira-mar

O mar e o tempo

O mar e o tempo

nenhuma Brastemp...

nenhuma Brastemp...

Na segunda manhã voltei à cidade murada porque ainda estava muito a fins de bater pernas por ali. E fui fuçando… descobri uma parte em que há um intenso comércio de barracas populares, vendendo de tudo um pouco. Mas o que me chamou a atenção foi a quantidade de barracas de sapateiro que havia lá, uma ao lado da outra. Ainda bem, porque neste mesmo dia uma de minhas sandálias abriu o bico e tive de valer-me dos préstimos de um destes valorosos profissionais. O que achei que ia ser complicado o cara resolveu em cerca de dois minutos, pela astronômica quantia de 1 peso. Salve os sapateiros! E de pisante reformado, aproveitei para dar uma esticada ao aeroporto, onde pretendia antecipar minha passagem para Caracas. Era longe, mas foi legal porque a avenida era à beira-mar.

Aquecendo as turbinas

Aquecendo as turbinas

Melhor que nada...

Melhor que nada...

O aeroporto de Cartagena é pequeno, moderno e simpático. Não tive problemas com os trâmites burocráticos no guichê da Avianca e saí de lá com minha reserva antecipada para o dia seguinte. Mas ainda tinha tempo de sobra… Assim, na volta aproveitei para caminhar um pouco pelas areias caribenhas. Verdade seja dita, entretanto, as praias ali não são legais, estreitas, de areia escura, com prédios à vista… Mar adentro, nas ilhas, haverá coisa melhor. Mas não fui. Caminhei pelas águas do Atlântico e alegrou-me a idéia de que já entrei neste oceano por todos os lados da América do Sul, com exceção do extremo sul, en la Tierra del Fuego. Quem sabe na próxima? Voltei para a cidade murada onde, muito acima do Equador, o sol brilhava sobre as praças e as pessoas.

Som ao vento!

Som ao vento!

Hoy todo és fiesta

Hoy todo és fiesta

Haga amor, no la guerra

Haga el amor, no la guerra

En el tiempo que pasa

En el tiempo que pasa

Ao entardecer, nos bares localizados sobre o largo muro, frente ao mar, bandas de músicas latinas abriram os trabalhos da noite. E o astral ia ficando cada vez melhor à medida em que o sol se punha. Agitos para todos os lados, gente linda – a mulher colombiana herdou o que há de melhor do sangue espanhol – e muita festa. Turistas, jovens, velhos, todos numa grande confraternização que em mim ressoava de maneira contagiante. Aquele caminho de pedras, aquele mar, a música, o poente… tudo contribuía para criar uma sensação de enlevamento que era assaz recompensadora. Considerei este o ponto alto de minha viagem. Após bebemorar o suficiente, saí dali agradecido.

Tudo de bom

Tudo de bom

E voltei pro hotel prá tomar uma ducha, com a intenção de esticar a festa, quem sabe indo a alguma boite mais tarde? E foi o que fiz. Lá pelas 23 saí e voltei para a cidade murada em busca de agito. Mas quem leu este blog até aqui já percebeu que de notívago eu não tenho nada. Queimo toda a energia sob o sol. E à noite eu sinto é sono! Tendo encontrado uma boite legal, música bombando, gente pulando e se agarrando, acabei ficando num canto, tomando uma ou duas cervejas, e concluindo que aquilo não era mesmo prá mim. Então desencanei e fui caminhar na praia, afinal, a noite estava linda.

Ao longe, o porto

Ao longe, o porto

Meu futuro ancoradouro

Meu futuro ancoradouro

Busetinha caliente

Busetinha caliente

No terceiro dia decidi conhecer o porto. Fui caminhando pela orla interna, que circunda a baía, e passei pela marina, onde havia muitas embarcações ancoradas. Sempre curto a companhia das embarcações… Mas quando cheguei próximo ao porto constatei que mesmo àquela hora do dia não era uma boa idéia perambular por ali. Como toda região portuária, aquela não inspirava confiança, e eu não havia logrado dissimular minha cara de turista… Então dei meia-volta, tomei uma buseta e voltei prá cidade, e quando ia descendo quase esqueço minha carteira sobre o banco. Fui avisado por um garoto, o que me poupou inimagináveis dores-de-cabeça futuras. Ficou no quase!

Ciudad Amurallada, desde Bocagrande

Ciudad Amurallada, desde Bocagrande

Cabeça nas nuvens

Cabeça nas nuvens

E na terceira noite fui para o lado oposto, para os confins de Bocagrande, onde constatei que se tratava de um bairro de classe média, com jardins, ciclovias e muita gente bem nutrida caminhando pelas calçadas. A Colômbia, para mim, foi uma grata surpresa. O tempo todo senti-me em casa e muito bem acolhido. Não presenciei nada que me desagradasse a ponto de não querer retornar. Os preços são acessíveis e viajar pelo país é estimulante. Ao quarto dia pela manhã, quando o avião subia vi abaixo, panoramicamente, Cartagena de Indias, a pequena jóia da Coroa espanhola – e agradeci de coração a felicidade de conhecê-la.

Shorter of breath, closer to death

Shorter of breath, closer to death

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A VIAGEM A MEDELLÍN

Seguuuura, peão!

Seguuuura, peão!

Vista antioqueña

Vista antioqueña

Llegada a Medellin

Llegada a Medellin

… então, montados no bumba do Rapido Ochoa sacolejávamos pelo interior da Colômbia, tendo por destino Medellín, o coração econômico do país. Passando a ponte de La Dorada estávamos no departamento de Caldas, porém ainda retornaríamos ao de Cundinamarca e passaríamos pelo de Boyacá antes de finalmente entrarmos no de Antióquia. O trajeto sinuoso, decididamente, não era nada objetivo. Enquanto a noite caía, nossa condução seguia por cidades e lugarejos de aparência sofrida e nomes pitorescos, como Cocorná, El Santuario, Rionegro, Guarne, Bello e, por volta das 22 horas, avistei enfim as luzes da capital. A chegada a Medellin à noite, pela Nacional 60, é uma dessas impressões indeléveis. O pedaço da cidade que se descortina é nada menos que as imensas encostas da cordilheira tomadas por miríades de luzes dos bairros populares. É uma visão impressionante, um vale cujas laterais remetem à cena de algum outro planeta. Fiquei deveras tocado e, confesso, um tanto apreensivo – naquele momento Medellín pareceu-me um lugar miserável e ameaçador. Mas na verdade vi probreza, mas não miséria na Colômbia.

Terminal del Norte

Terminal del Norte

Rio Medellin

Rio Medellin

Hotel Poblado Campestre

Hotel Poblado Campestre

Por fim, o ônibus estacionou numa das plataformas do Terminal del Norte e pude desembarcar para mais uma etapa desta aventura. Num táxi, percorri a marginal do Rio Medellín, onde havia gigantescos luminosos natalicios. Atravessando quase toda a cidade, chegamos ao simpático hotel Poblado Campestre, onde me aguardava uma reserva, uma ducha tépida e uma cama aconchegante. Um dia inteiro constrito numa poltrona vibratória é coisa para treinamento de astronautas, não para turistas em busca de sossego. Mas sobrevivi e agora queria apenas caminhar pelas redondezas na captura de algo para por entre os dentes.

Metrô Medellín

Metrô Medellín

Vista do Metrô...

Vista do Metrô…

Povo!

Povo!

Estación Caribe

Estación Caribe

Manhã de sol em Medellín! Saio à procura do metrô para voltar ao terminal norte onde na noite anterior, na pressa de sumir dali, havia esquecido de comprar a passagem para a próxima etapa: Cartagena de Indias. Em época de alta temporada convém não deixar prá depois. O metrô, limpo e bonito, ajudou a mudar a primeira impressão que eu havia tido da cidade. Medellín é moderna, com todos os contrastes esperáveis de uma metrópole sul-americana. Indústria pujante convivendo com populações empobrecidas. Ruas lotadas e comércio prá todas as faixas sociais, desde refinados shopping centers a feiras informais de venda e troca de usados. E passavam as estações… a partir de Aguacatala vinham: Poblado, Industriales, Exposiciones, Alpujarra, San Antonio, Parque Berrío, Prado, Hospital, Universidad e, finalmente, Caribe – interligada à rodoviária.

SOS dinherooooooooo

SOS dinherooooooooo

Sí, sí, sí, yo quiero

Sí, sí, sí yo quiero

Entro num cajero automático para ordenhar meu cartão VISA e – surpresa – nada de pesos: “sem comunicação”. Vou a outro e “sem comunicação”. Busco o terceiro, o quarto e último… Socorro! Nada! Procuro um local onde possa fazer uma chamada telefônica ao Brasil para entender o que está acontecendo, mas nenhum dos dois postos telefônicos que havia faziam chamadas a cobrar. Minha única saída era voltar todo o caminho até o hotel (sem dinheiro, sem passagem e bastante encanado) para poder utilizar um telefone. Quando enfim consegui falar com alguém, soube que o problema era queda de sistema no Brasil. Putz! Deveria ser indenizado pelo stress e pela manhã perdida. Mas estamos em férias, mantenhamos a fleuma e, embora quase duros, saiamos sorridentes a perambular… Quanto à grana, mais tarde tentaremos novamente.

Onde tudo acontece!

Onde tudo acontece!

Quando mais tarde chegou, finalmente consegui sacar de um caixa automático a quantia necessária para a passagem e voltei à rodoviária. Desta vez, tudo deu certo – aliás, com grana, quase sempre dá! Comprei o bilhete, desta vez pelo Expreso Brasilia, e fui ao posto de atendimento ao turista solicitar un mapa de la ciudad, por favor. Fui muito bem recebido por um senhor, policial militar, que estava disposto a mostrar-me sobre o mapa todos os atrativos da cidade. Mas minha curiosidade, confesso, era mais mórbida… diante de tanta boa vontade, arrisquei a pergunta que não queria calar. Disse-lhe:

– Mira, señor, pienso que para uno de Medellín no le gustará contestar a esa pregunta… pero me gustaria saber en que punto de ese mapa fué muerto Pablo Escobar.

Para minha surpresa, ele não se aborreceu. Ao contrário, mostrou-me o local sobre o mapa (a nordeste da cidade) e ainda me contou que, numa ocasião, houvera conhecido pessoalmente o maior traficante da história das Américas.

– ¿Verdad?

Barato inda é forte...

Barato é caro…

– !Si, por supuesto! E então contou-me que certa tarde, há uns 18 anos, quando estava de serviço no Hotel Intercontinental, ao norte no bairro de Los Cerros, viu chegar o traficante com toda a sua guarda pretoriana, fortemente armada. Sem chance de defesa não reagiu, porque sabia que seria morto. O homem entrou, ficou o quanto quis, fez o que tinha de fazer e foi embora. Naquela época, segundo o policial, os chefes da droga comportavam-se ostensivamente como se fossem os donos da cidade, um estado de coisas que mudou, pois hoje o tráfico embora intenso é discreto.

Talleres en Caribe

Talleres en El Caribe

Fazemos qq negócio!

Fazemos qq negócio!

Te lembra algo, né?

Te lembra algo, né?

Plaza Botero

Plaza Botero

Retornei ao centro a pé, para aproveitar melhor a tarde. No primeiro bairro que atravessei, El Caribe, havia uma concentração inusitada de oficinas mecânicas. O bairro inteiro era uma manutenção só, inclusive de veículos pesados, o que deixava as ruas cheias de caminhões parados. Vindo pela Carrera 52, cheguei então à parte mais popular do centro, onde havia pelas calçadas uma grande feira de objetos usados. Muitas lojas de bicicletas, autopeças, ferragens e eletrodomésticos. Por fim, cheguei à Plaza Botero, com suas curiosas esculturas de simpáticas figuras obesas. Era o dia 23 de dezembro e havia uma multidão que entupia as ruas. Estava difícil caminhar. Melhor parar numa das muitas galerias prá tomar uma cerveja, desta vez a Polar, ao som da Estrella FM.

Policial? Soldado?

Policial? Soldado?

Início de uma aventura...

Início de uma aventura…

Na Colômbia, ao menos nas metrópoles em que estive, não passam dois minutos sem que se aviste um policial. Em Medellín havia um em cada estação de metrô, sempre próximo às catracas. Mas também estavam pelas ruas, circulando em motos (2 por moto), em carros. Os vigilantes privados utilizam cães. E o uniforme da polícia é em tudo semelhante ao do exército, o que os diferencia é o jaleco de um verde fluorescente utilizado pelos policiais por sobre a farda. Assim, muito bem protegido, na manhã do segundo dia tomei uma vez mais o metrô com destino à Estación Acevedo, ali há uma conexão com o teleférico que leva para o alto de uma das encostas, no bairro de Santo Domingo Savio.

Panoramica de Suramerica

Panoramica de Suramerica

Muy moderno!

Muy moderno!

O teleférico, chamado Metrocable, é um passeio imperdível. Tanto um quanto o outro, pois há dois na cidade. Em cabines para 8 pessoas que viajam suspensas a uma surpreendente altura do solo, passeia-se por sobre os telhados, os bares, as esquinas, as lajes e os folguedos infantis que se desenrolam no mundo abaixo. É algo feérico. Sobrevoa-se as casas e vê-se o que nelas acontece. Quando há um sobrado alto à frente, têm-se a impressão de que se vai bater contra a parede mas eis que se sobe cada vez mais, mais alto, até que se avista ao longe toda a cidade. Gostei tanto que decidi visitar naquele mesmo dia a outra linha, que vai em direção aos bairros da encosta norte.

Brinquedão!

Brinquedão!

Natal perto do céu

Natal perto do céu

E foi o que fiz à noite, na véspera do dia de natal do ano de 2008. Tomei o outro teleférico, na Estación San Javier com destino à Estación Aurora. Se pela manhã o primeiro já havia me impressionado, a viagem que fiz nesta noite subindo e descendo as montanhas escuras dos Andes, foi algo indescritível. Se o primeiro ia por sobre as casas, este sobrevoava a mata escura. E do ponto mais alto, acima de tudo mais o que acontecia naquela parte do mundo, pude ver as infinitas luzes de Medellín no vale abaixo e parecia inacreditável o que se descortinava. Pensei: só por estar aqui e presenciar isso já valeu o meu natal. Sozinho ali, sem champanhe ou panetone, eu estava muito feliz.

Noche Buena!

Noche Buena!

Mucha gente!

Mucha gente!

Media Noche!!!

Media Noche!!!

Voltei para as partes baixas e fui aonde o povo estava – as margens ricamente iluminadas do Rio Medellín. Havia um trabalho em luzes que impressionava pela grandiosidade. Nunca havia visto uma instalação luminosa daquele tamanho, tomando quase todo o rio. E já passava das onze e o povo estava em festa. Crianças, casais, anciãos – muitos policiais – e eu lá pelo meio, experimentando desta vez uma cerveja cujo nome não me lembro mas que era horrível, doce, parecia a mistura de cerveja com tubaina.

Após a meia-noite, finda a festa, decidi voltar para o hotel. Fui para a avenida marginal, mas quem conseguia parar um táxi? Passavam todos lotados, sem uma única exceçãozinha para me tirar daquele sufoco. Pensei na possibilidade de voltar a pé, mas era longe demais, eu já estava com as pernas muito cansadas e àquela hora… o bom-senso absolutamente não recomendava. Porém, sem alternativa, comecei a caminhar. E por muitíssima sorte, vi parar um táxi do qual desceu uma família. Corri e foi a salvação. Em poucos minutos estava no conforto do meu quarto de hotel, mas muita gente ali deve ter se dado mal…

Envigado

Envigado

Na manhã do dia 25, meu último dia inteiro na cidade, sai caminhando por trás do hotel e descobri um bairro muito elegante, com direito até mesmo a um enorme campo de golfe. Andei até cansar, como é de meu costume, mas desta vez não deu prá continuar. Até queria ir um poquinho mais… mas as pernas se recusaram e tive de sentar-me à beira da rua para decidir o que fazer. E minha decisão foi continuar o turismo mas agora motorizado. Assim, tomei a primeira buseta que passava e deixei-me levar. Fui parar em Envigado, a próxima cidade a leste. E foi muito legal, porque embora tão próxima Envigado é muito diferente de Medellín. Para começar é muito menor, parecendo até uma cidadezinha de interior. E o ônibus ultrapassou o centro e seguiu para os bairros do subúrbio. Ali havia muitas famílias cozinhando nas calçadas, festas para todo lado, e um clima de Natal em Paz! Gostei muito do passeio improvisado. Quando achei que já estava indo longe demais, desci, tomei um malte (bebida comum na Colômbia) num quiosque e peguei outra buseta de volta (eu adoro busetas).

Tudo de novo... Vai ser foda!

Tudo de novo??… Sim, vai ser foda!

Às onze da manhã do dia seguinte embarcava no já familiar Terminal Norte para mais um sacolejo de 12 longas horas, desta vez com destino a Cartagena de Indias. O ônibus era um pouquinho melhor do que o anterior, ao menos tinha cineminha – e foram nada menos que quatro longa-metragens do início ao final da viagem, com espaço para mais alguns durante as pausas entre um e outro. Ao meu lado sentou-se um rapaz que parecia disposto a entabular uma animada conversação. Mas havia um problema: eu não entendia patavina do que ele dizia. Falava rápido mas aquilo não era castelhano – era colombiano, o que é muito diferente. Fui obrigado a fechar a cara e responder com monossílabos, pois previ que iria ficar com dor de cabeça se fosse tentar decifrá-lo. Já estava de saco cheio de ter de dizer “como?” e “hã?” a cada frase que ele dizia.

Bem que estranhei...

Bem que estranhei…

Lá pelas tantas, quando voltava do banheiro para a minha poltrona, senti algo estranho ao sentar-me e imediatamente soube do que se tratava. Era uma baita pistola – e carregada, pois o garoto era um policial à paisana que na minha ausência havia debruçado sobre o meu banco vazio para conversar com o vizinho do outro lado do corredor e neste movimento deixara cair a arma, sem perceber. Com naturalidade, apresentei-a a ele e perguntei “¿És tuya?”. Ele não pode acreditar, pegou-a e pareceu muito envergonhado, pois aquilo não havia sido nada profissional. Pero… cosas que suceden.  Quem nunca perdeu uma pistola, não é mesmo?

NÃO recomendo!

NÃO recomendo!

Por fim, lá pela uma da manhã – sim, foram mais que doze horas – chegamos ao litoral. Desembarquei na rodoviária de Cartagena e tomei um táxi que me levou ao bairro de Bocagrande, na Carrera 3, hotel Bonavento Real – (in)felizmente o único muquifo de toda a viagem. Aliás, diante das acomodações decepcionantes (reservadas às cegas pela Internet), tive de encurtar um pouco minha estada numa das mais agradáveis cidades em que estive, pois àquela altura não havia como encontrar vaga em outro hotel, todos abarrotados.

Mas (again) estamos em férias, mantenhamos a fleuma e, embora muito putos, saiamos sorridentes a perambular… Afinal, Cartagena é muitíssimo legal.  Mas isso merece outra história.

Time flies!

Time flies!

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A VIAGEM A BOGOTÁ

Ueba! S'imbora!!

Ueba! S'imbora!!

Eram 11 da manhã da quarta-feira, 17 de dezembro de 2008, quando subi num Boeing 737-800 da Varig, no aeroporto de Cumbica, com destino à Colômbia. Manhã cinzenta que se revelou mais que ensolarada, exuberante, assim que o avião ultrapassou o manto das nuvens. No encosto à minha frente não havia aquele monitor que nos situa geograficamente, mas a voz do comandante deu as diretrizes: “Senhores passageiros, bem vindos ao vôo 8698 da Varig com destino a Bogotá. Nosso trajeto será por Bauru, Cuiabá, Villavicencio e Bogotá. Tempo estimado de vôo 6 horas. Tenham todos uma boa viagem”. Tais palavras colocaram-me finalmente em sintonia com a situação: eu acabara de sentar-me numa poltrona da qual levantaria dentro de 6 horas para desembarcar noutro país, noutra cultura, noutro mundo. Na verdade, levantei-me antes disso para ir fazer xixi.

O aeroplano… não canso de admirar esse maravilha sonhada por Da Vinci e materializada por Santos Dumont (xô, usurpadores Wright). Trata-se de uma máquina que é quase o teletransportador de Jornada nas Estrelas. Você entra aqui e sai lá… apenas demora um pouquinho mais. Aliás é também uma máquina do tempo, na qual você pode magicamente ver o dia andando para trás, desde que voe para o oeste, como em Enquanto Isso.

Natureza e máquina!"

Natureza e máquina!

Nós rumávamos noroeste enquanto eu mentalizava cálculos… 4300 quilômetros em 6 horas significa que nossa velocidade é de pouco mais de 700 km/h. Se a hora tem 60 minutos, então estamos a quase 12 km/min, o que implica 200m por segundo. Concluí que a cada 5 segundos deixávamos 1 quilômetro para trás, impressão que foi melhor ilustrada quando pude ver a sombra negra do aparelho “voando” no chão. E por algum tempo estive a contar os segundos… 1… 2… 3… 4… um quilômetro… 1… 2… 3… 4… dois quilômetros… até que cansei da brincadeira e passei a ler a revista de bordo. Subindo para 30 mil pés, lá fora já não dava prá ver mais nada.

Hotelzinho legal!

Chiquitito, pero cumpridor!

galerias5

Galerias populares

Decorridas estas poucas horas, devidamente vacinado contra a febre amarela pousei no Aeropuerto Internacional El Dorado, na capital colombiana, onde era aguardado por uma senhora que ostentava uma plaqueta com meu nome. Com seu filho, que dirigia o Fiat e conhecera São Paulo, fui conduzido ao hotel que reservara no aprazível bairro de Chapinero Alto, não sem antes passar defronte à embaixada americana, que – como convinha – mais parecia um bunker gigantesco. Y entonces allí, en el coche mismo, empecé con ellos a utilizar mi castellano. Eso me gusta! Ueba! Ao cair da noite, já instalado e após uma ducha providencial, fui comprar um livro na movimentada Calle 53, próximo às Galerias. Por 25 pesos, adquiri “El Amor en los  Tiempos del Cólera”, de Gabriel Garcia Marquez, porque o enredo transcorre na cidade de Cartagena, próxima parada prevista em meu roteiro.  Porém, talvez pelo desconforto das 6 horas sentado sentia-me indisposto, assim jantei por ali um sanduiche um tanto estranho e deixei para explorar a cidade no sol da manhã seguinte.

Arepas chôcolo

Arepas chôcolo

Cordilheira

Cordilheira logo alí

Buseta

Buseta

Comércio de rua

Comércio de rua

E foi o que fiz logo ao acordar. Após um desayuno de tamales com arepas-chôcolo (amei a segunda, abominei o primeiro) sai prá bater pernas por uma das capitais sulamericanas que há tempos tinha ganas de conhecer. Não sei porque, sempre simpatizei com a Colômbia. E então tudo era novidade: a cidade aos pés da cordilheira, o frio que surpreendia, as busetas multicoloridas, o comércio popular de artigos regionais. Fui clicando tudo no meu Nokia N95 comprado no Shopping Morumbi especialmente para a ocasião, o que me permitiu registrar a aventura completa em fotos de 5 megapixels. O frio era realmente inesperado… havia pensado que por estar mais próxima à linha do Equador Bogotá seria mais quente do que São Paulo, esqueci-me porém de considerar a altitude… A 2640m, a capital colombiana está mais alta que a paulista respeitáveis 1880m, e isso obviamente reflete muito na temperatura.

Motoqueiro

Identifique-se!!

Taxi

Prá avião ver

Ali, dentre as particularidades que chamam a atenção, está o fato de todos os motociclistas serem obrigados a utilizar um jaleco com destaque para o número da placa, o que não é de muita valia quando por cima do número vestem uma mochila… Assim, por via das dúvidas, são obrigados a pintar o mesmo número também na traseira do capacete. Os táxis são amarelos e todos veículos utilitários têm o número da placa pintado não só nas laterais, como também no teto. Todas essas regras de trânsito são neuras compreensíveis para um país que convive há tanto tempo com ataques terroristas… Mas meu medo de ser seqüestrado não se concretizou.

Transmilenio

Metrô sobre pneus

estacao-t

Estação Transmilenio

Plaquinha esquisita...

Que meda!

Mais 1 buseta

Buseta é o que há!

Ao invés de metrô, a cidade conta com um sistema de ônibus vermelhos articulados (chamados Transmilenio) que a cortam de lado a lado com as estações de embarque localizadas sobre as ilhas das principais avenidas. Trata-se de um meio de transporte eficiente, embora já subdimensionado para os horários de pico. Foi num destes ônibus que vi uma placa curiosa…  e até ligeiramente assustadora!  Mas o que mais salta aos olhos do turista desavisado, como eu, são mesmo as busetas. São ônibus pequenos, desuniformes, pintados em cores escandalosas e na maioria das vezes decrépitos, que por módicos 1,20 pesos levam o passageiro por longas distancias. É funcional, barato e pitoresco.

Bogotá nublada

Bogotá nublada

Localizar-se não é um problema. O país conta com um sistema de nomenclatura de logradouros que torna tudo fácil: de norte a sul estão as “carreras”, que são as avenidas. E de leste a oeste correm as “calles”, ou ruas. E todas levam números – e não nomes (com poucas exceções). Assim, por exemplo, o endereço Carrera 13 #27-17, significa: Avenida 13, altura da rua 27, número 17. E qualquer um que conheça minimamente a cidade já terá uma boa idéia de onde isso fica, mesmo sem olhar no mapa… muito prático.

Monserrate, pertim do céu

Monserrate

Trenzinho

Trenzim

Atrás da igreja

Atrás da igreja

Tá, mas sem galinha...

Tá, mas sem galinha...

Alto pacas!

Alto pacas!

Bogotá, já chamada pelos antigos de “Santa Fé” e depois “Santa Fé de Bogotá”, situa-se num terreno plano que a leste (lá dizem “oriente”) tem a cordilheira por limite natural. Então um ponto de grande interesse turístico é Monserrate, uma igreja localizada bem alto no topo da montanha de onde se descortina a vista de toda a região metropolitana.  Chega-se por um simpático trenzinho que sobe uma encosta íngreme ou por um teleférico que no sábado em que lá estive só iria iniciar as atividades às 3 da tarde. Aliás neste dia pouco se podia ver da cidade, tal era a neblina que se instalara. De trás da igreja sai um corredor de tendas que vendem souvenires e comidas típicas. Aliás, as comidas são um capítulo à parte. O que se via eram galinhas amarelas fumegantes, miudos de aves aferventados, linguiças de aspecto suspeito e tantas outras iguarias que, sinceramente, mais me assustavam que atraíam. Mas suponho que os colombianos as adorem, porque estão por toda parte – assim como o som da Candela FM.

1º Mundo

1º Mundo também, tá?

Museu Nacional

Museu Nacional

Planetario Bogotá

Planetário Bogotá

Centro Histórico

Centro Histórico

 

Visitei os centros econômicos e constatei que ali também há algo de primeiro mundo. Fui ao Museu Nacional de Colômbia, muito interessante, ao planetário municipal, que considerei melhor que o de São Paulo, e à região das praças, en La Candelaria, o centro histórico, que para mim é a parte mais charmosa da cidade. Por falar em charme, impagáveis são os caminhões cuja carroceria foi transformada num salão de baile aberto, que desfilam pelas avenidas com a música a todo volume e lotados de turistas dançando, bebendo e babando lá em cima.

Joyeux Noël partout

Joyeux Noël partout

Frio desfocante...

Frio desfocante...

Fiesta!

Fiesta!

Eram dias que antecediam o natal e por isso à noite a metrópole brilhava em cores. Pela avenida principal, a Carrera 7, famílias passeavam lotando as calçadas e este espírito de festa avançava até altas horas. Num frio de rachar, eu andava até as pernas doerem. Então tomava uma buseta de volta à casa e ia ler a saga de Florentino Ariza em sua perseverante – antes, obstinada – espera pelo amor de Fermina Daza.

Terminal Rodoviário

Terminal Rodoviário

Chevy Spark

Chevy Spark

Pablito do pó

Pablito do pó

Tudo ia bem, mas ao quarto dia concluí que meu projeto original – de ficar na capital por 8 dias – estava superestimado. Assim, entre Bogotá e Cartagena incluí no roteiro Medellin, para conhecer a terra do finado e famigerado Pablo Escobar que, embora não fosse um vulcão, tantas toneladas de pó derramou sobre os Estados Unidos… Em São Paulo, havia reservado um carro e então fui à sede da locadora (Hertz) para retirar meu Chevrolet Spark. Qual não foi minha surpresa ao negarem a entrega do veículo alegando que o escritório brasileiro havia cometido um erro, pois em alta temporada eles não poderiam ceder um carro para ser deixado em outra cidade. Com a reserva na mão, fiquei muito puto e já ia chamando a polícia quando descobri que meu parco portunhol fica pior ainda quando estou nervoso. Percebí que iria perder horas preciosas com esse assunto de desfecho duvidoso e rasguei a reserva no balcão. Fui prá estação rodoviária, onde resolvi o problema comprando uma passagem para Medellín pelo glorioso Rapido Ochoa!

Usaquén

Usaquén

Ciclovia dominical

Ciclovia dominical

Passagem comprada… último dia na cidade, um domingo, fui conhecer a graciosa feira de artesanato de Usaquén, um bairro elegante ao norte. Com tempo de sobra, fui caminhando pela Carrera 7 e apreciando o fato de que a haviam transformado numa ciclovia muito bem-sucedida, com gente de todas as idades pedalando pela longa avenida. E já que estava tudo fechado, aproveitei para conhecer dois shopping centers (abertos, óbvio), o mais bacana e o mais visitado. O Shopping Center Hacienda Santa Barbara foi, como o nome sugere, construído a partir da casa grande de uma fazenda histórica e por isso mesmo é original e agradável. Já o Shopping Unicentro não apresenta muitas novidades e num domingo como aquele estava botando gente pelo ladrão. Quase entre tapas, almocei e caí fora. Mas reconheço que a comida e a cerveja Aguila estavam muito saborosas.

Na manhã da segunda-feira, tomei um táxi e apresentei-me às 8 na rodoviária. Há malas que vão para Belém… Foi ótimo não ter pego o carro, porque a estrada que liga as duas principais cidades do país é um desafio à sanidade de qualquer motorista. De Bogotá a Medellín são 10 horas por uma pista única tortuosa, serpenteando e sacolejando por entre as encostas dos Andes com tal violência que no banheiro do ônibus não havia meio de eu conseguir mijar. Por fim, tive de segurar-me com ambas as mãos e abandoná-lo (a ele…) à própria sorte, o que comprometeu totalmente a pontaria e transformou-o momentaneamente numa alucinada metralhadora giratória – que fez o estrago que as metralhadoras sempre fazem… Enquanto isso, o ônibus, em plena faixa contínua, temerariamente ultrapassava mais um dos 1000 caminhões que encontrou pela frente. Encomendei minh’alma ao Santíssimo!

Fogón Paisa

Fogón Paisa

Tem baurú?

Tem baurú?

A cada 500m...

A cada 500m...

 

 

É nóis na estrada!

É nóis na estrada!

Lá pela uma da tarde, o motorista parou no Fogón Paisa para que os passageiros enchessem o tanque. Muitos ônibus, muita gente, muita comida. Mas eu bravamente continuei em jejum, pelo medo de vomitar em meio a tantas curvas. De volta à poltrona, tinha pela frente ainda muita estrada e a música que tocava o tempo todo. Canções populares colombianas, que em outras circunstâncias eu até teria apreciado, mas ali – uma atrás da outra naquele volume, por 10 horas – era uma tortura para o cérebro e os ouvidos. Aliás, ouvir música altíssima parece ser uma mania nacional… O que compensava eram os pueblos pelos quais o busão passava, lugarejos que revelavam a verdadeira alma da Colômbia, com sua gente simples e arquitetura modesta. Ao longo do asfalto, em vários pontos, soldados entrincheirados detrás de sacos de areia empilhados. E muitos “lavaderos”, locais improvisados para a lavagem de caminhões. Era a minha querida América do Sul passando pela janela…

Ponte sobre o Magdalena

Ponte sobre o Magdalena

Digna de nota a travessia por sobre o majestoso Rio Magdalena, com suas águas barrentas. Um ponto da viagem que constrastava com o verde da paisagem circundante. Lembro-me de, ao atravessar a grande ponte pênsil, ter pensado: isso será bem reconhecível depois, no Google Earth. De fato, foi: La Dorada (5°28’11.50 N, 74°39’48.43 O).

Estrada, só no zig-zag...

Estrada, só no zig-zag...

Mas o titulo desta história é Viagem a Bogotá. E esta ponte, entre os departamentos de Cundinamarca e Caldas, é já meio do caminho para Medellín… por mudança de jurisdição este texto acaba aqui!

Hoje é hoje!

Hoje é hoje!

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TERMO DE ABERTURA

Eu mes

Eu mes!

Ora, bloguemos, pois!  E por que não?

Bem… na verdade consigo, sim, imaginar alguns motivos para NÃO blogar, senão vejamos:

1) Trata-se de um modismo e eu ando avesso a modismos
2) Acabarei por revelar que estou mal-informado. E sendo um jornalista… pega mal!
3) Não dá mais prá escrever em português sem voltar prá escola
4) Nada de importante tenho a dizer. Será mais um blog medíocre

Procurando, vou achar não 5 mas 5000 motivos para NÃO fazê-lo!

Idéias ao Cosmo

Idéias ao Cosmo

Por outro lado (sempre há outro lado) considero que o que tenho a dizer (quando acordado quase sempre tenho algo a dizer…  às vezes até dormindo, mas é bem mais raro…) pode, sim, vir a ser muito útil. Senão prá mais alguém ao menos prá mim mesmo. Afinal, trata-se de uma excelente terapia ocupacional que, de quebra, lança idéias no cosmo. Alguma há de prestar, cáspita! Fora isso, convenhamos, blogar… se é um modismo, veio para ficar.

Sou fã da frase que diz “Quem quer fazer encontra um meio, quem não quer – uma desculpa”. Pois… !

Vem cá, minha filha...

Vem cá, minha filha...

Então estamos aqui, desnudando-nos em público, de forma a não deixar velado qualquer recôndito de nossa alma sôfrega. Ou quase nenhum, já que até Cristo haverá tido lá seus segredinhos.  (Aliás, dizem que uma tarde, sozinho com Maria Madalena… bem… mas isso é outra história…)

Falando na primeira pessoa do plural, encontramos um pouco mais de coragem do que se disséssemos “estou aqui desnudando-me em público…”, forma todavia ainda mais nua. De qualquer maneira, melhor falar na primeira do plural do que na terceira do singular, como faz o Pelé ( …é que ele gosta assim, entende? ).

ET, o outro...

ET, o outro...

Este blog é divagante, um livre exercício de expressão. Um receptáculo onde anelo lançar fatos, feitos, fotos, ficções, e fixações. Dele não espero nada, exceto que sirva de plataforma para lançar-me ao infinito e à posteridade. Com sorte, se nenhum testa di cazzo deletá-lo do servidor, ouso supor que perdurará por eras após minha partida. E quem sabe um dia será ainda decifrado por algum ET invasor.

Mas não assumo compromissos, sequer com a realidade. Mesmo porque depois de ler a obra completa de Castañeda passei a encarar a realidade como algo muito relativo. Até pegar o jeito, meus textos tenderão a ser bem egocêntricos, sobre babados meus… mas quem sabe ampliá-los-ei às crônicas comportamentais e do dia-a-dia, que isso sim sempre achei bem legal.

Portanto, dedos à obra e sendo lusófonos escrevamos no único português que (por enquanto) conhecemos, aquele arcaico, utilizado no Brasil até 31 de dezembro de 2008. Quando um dia tiver saco, hei de parar para entender as modificações que à minha revelia foram feitas em nossa lingua-mãe (ou será linguamãe, ou lingüa-mãe… não… o trema caiu. Putz, bota saco nisso). Mas agora estou com preguiça!

Eita, sodade...

Eita, sodade...

O certo é que digito com mais rapidez e mucho másss tesão no português que aprendi na cartilha “Caminho Suave”, e que utilizo até hoje.  O idioma, não a cartilha.

E aqui vai nossa primeira prestação de serviços:
Os interessados em entender as novidades, cliquem: Nova Ortografia

Meia-noite, por hoje basta. Hora de alternar eletrodomésticos e lançar-me ao ócio improdutivo e delicioso da TV a cabo. Com controle remoto!! Boa noite Terra!

Uahhhh... soninho!

Uahhhh... soninho!

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BE WELCOME!


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