Arquivo do mês: fevereiro 2010

MILLE COSE

Noite alta...

Noite alta...

Virgem, ascendendo no horizonte leste, indicava 2 da manhã. De certa maneira, as estrelas da constelação se moviam mas, definitivamente, nenhuma vinha em direção à costa! Nenhuma exceto aquela…

Quando a pequena luz chegou perto, um observador teria visto: não era
estrela… mas uma nave alienígena, brilhante, invadindo por sobre o oceano o espaço aéreo da Terra. Pena que àquela hora da madrugada não houvesse nenhum terráqueo à espreita!

É disco, e é voador!

É disco, e é voador!

No interior do veículo, um drama se desenrolava:

(traduziremos os diálogos para maior compreensão)

Outros filhos de Deus

Outros filhos de Deus

– Desgraça! Isso está saindo de controle!
– Anklyk, temos problemas com a fonte de energia da nave.
– Já  percebí. Sabe o que está  acontecendo?
– A carga está quase esgotada. Estamos perdendo altura.
– Droga!… mas veja… uma luz piscando lá  embaixo, vou tentar pousar alí.

Luz sem fim sem tunel

Luz sem fim sem tunel

O mar espatifava-se em ondas sobre a areia e, sem lua, o céu quase não
contrastava a silhueta dos coqueiros. Mais visíveis eram os voos rasantes das primeiras gaivotas famintas, seus gritos mixando-se ao rumor da água na praia.
Se o farol iluminava o que estava ao longe, aqui ao pé de sua base a claridade era muito pouca…

Iluminando o infinito

Iluminando o infinito

E a nave pousou! Desembarcaram.

– Anklyk, veja, é uma espécie de lanterna gigante!
– Sim… e se tem luz tem energia – e isso é tudo o que necessitamos. Vou subir para procurá-la.
– Tem outra coisa parada alí embaixo. Enquanto você sobe, vou ver o que é.
– Achei a escada… mas a porta está  emprerr… Ufff! conseguí!  Sim, fique aqui, já  estou subindo.
– OK! Ligue o rádio para conversarmos. Mas… é uma nave!! Eles também tem uma uma nave aqui. Com uma cor que eu nunca ví!

Isso é novidade...

Isso é novidade...

– (Pelo rádio:) O quê? Uma nave? Tem certeza? Procure pela fonte de energia.
– Muito bem… energia… energia… Mas, Anklyk, é uma nave muito boa.
– Melhor que a nossa?
– Menor, mas por dentro parece muito confortável.
– Tente acioná-la. Procure pelo start.
– Bem… ligar não estou conseguindo… vejamos esse comando… puxa, ela tem luzes fortes!

Fachos interestelares

Fachos interestelares

– Se tem luzes, tem energia… procure pela fonte. Já estou quase chegando ao topo.
– Anklyk, você tem que ver o engenho propulsor desta máquina. Estava escondido debaixo desta tampa. Não estou entendendo nada, mas parece feito com uma tecnologia tão avançada quanto a nossa!
– Sim, tecnolog… uau, como é lindo este planeta daqui de cima! Veja só este oceano imenso sumindo na escuridão.

Ops, foto errada...

Ops, foto errada...

– Ah, ah. Descobri, Anklyk, eu descobri. Aqui está a fonte de energia da nave. Quando eu junto estes dois pólos (bzzzzzzzzzzz), veja (bzzzzzzzzzzzzzttttt) saem faíscas…  é energia elétrica!!

funciona !!

funciona !!

– Estou descendo, estou descendo. Nada aqui em cima! Não entendi de onde vem a energia que faz piscar a lanterna gigante. Elétrica, você disse? Serve, serve…

– Pronto. Já  retirei a fonte! Agora é só instalá-la na nossa nave.
– (Chegando) OK! Deixe-me ver esta peça… B-A-T-E-R-I-A hum… que língua enrolada.

deve ser isso...

deve ser isso...

– Ora Anklyk, não temos tempo para bobagens. Me ajude aqui a instalá -la.
– Está  certo que é uma emergência, mas o que estamos fazendo não é correto. Vamos ao menos deixar no lugar nossa fonte usada de energia. Ela ainda tem alguma carga…
– OK, faça isso enquanto eu testo a partida. Vamos ver… (Zuuuuuuuuuuummm) Funciona, Anklyk, funciona! Ah, ah, ah!
– Ótimo. Já  instalei nossa fonte usada no lugar. Só mais este parafuso… pronto!
– Então vamos embora.
– Ufa, que sorte!

(Zuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!)

Seis da manhã. Com a barba por fazer, o velho faroleiro assustou-se: viu flutuando em meio à neblina uma esfera de luz lilás. Esfregou os olhos e, incrédulo, reconheceu… seu Mille vermelho, a 3 metros de altura, derivava ao sabor do vento.

energético !

energético !

– – – * * * – – –

Conto escrito para participar de um concurso promovido pela Fiat mas que, por alguma razão que não me lembro mais, nunca foi enviado…

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