MINHA VIDA EM PARIS

Enfin... Gare de l'Est

Enfin… Gare de l’Est

E foi assim que naquela tarde de outubro de 1982 desembarcávamos, o Emerson e eu, na Gare de L’Est, em plena Paris, para aquele que viria a ser (até agora, porque muito ainda pode acontecer…) o ano mais incrível da minha vida. De cara já ordenamos, ali mesmo no bar, um croissant avec du cafè au lait cada um e, assim abastecidos, dirigimo-nos à saída da estação. Qual não foi minha surpresa quando, ao iniciar a subida da escada rolante, ouvi um grito, em alto e bom brasileiro: “NUM ‘CREDITO!”.

Tipo assim...

Tipo assim…

Olhei prá cima e vi o Toninho (Antonio Hélio), um conhecido  de Santo André, que descia pela escada paralela e havia me reconhecido. Assim, com apenas alguns minutos de Cidade Luz no meu currículo, eu já tinha um amigo na metrópole  (o Toninho, infelizmente, viria a falecer de choque anafilático em Santo André, décadas após).

Graças a ele, tomamos conhecimento de onde estava instalado o Sérgio, um dos meus parceiros da viagem inicial. E ele estava no 11ème arrondissement, mais precisamente no nº 45 da Rue Alexandre Dumas, onde viviam vários brasileiros num apartamento de um dormitório, que havia sido descolado pelo João (João Figueiredo Jr.), campo-grandense que viria a se tornar mais um brother.  Dentre eles, estava também o França (Valmir Krauss, hoje na Flórida), outro que eu conhecia da terrinha…

João Figar, em  82

João Figar, em 82

Murielle

Murielle

Era o início da era Miterrand e de sua França socialista, mas no momento importava mais encontrar um local onde se hospedar, uma vez que o apê dos conterrâneos já estava abarrotado… O Emerson tinha para onde ir: a casa da amiga que em Roma lhe havia sugerido a mudança para Paris. Ela se chamava Murielle e morava em Bourg-la-Reine, um banlieue (subúrbio) ao sul. Mas eu ainda tinha de me arranjar… Provisoriamente, fui prá um Albergue da Juventude na Place d’Italie, onde não dava prá ficar por muito tempo, devido ao preço. Mas quebrou o galho durante uns 3 dias, após o que me mudei para uma pensão bem mais legal no nº 46 da Rue de Vaugirard, de frente pro Jardin du Luxembourg.

Exuberante!

Exuberante!

Pensão da Vaugirard

Pensão da Vaugirard

Escurinho & Etelvina

Escurinho & Etelvina

Ali, onde fiquei hospedado por cerca de um mês, tudo foi muito bom. O lugar era ótimo e conheci pessoas interessantes, dentre elas um argentino gente fina (sim, existe), chamado Fernando (Fernando Méndez Casariego), que me deu várias dicas sobre a cidade e o idioma. Por esses dias tinha na mochila, não atino o porquê, uma fita com velhos e deliciosos sambas brasileiros que me fizeram ótima companhia… de dois deles me recordo: “O Escurinho” e “Acertei no Milhar“. Era engraçado andar por Paris ouvindo isso…

Nosso apê!

Nosso apê!

Até que lá para o final de novembro vagou um colchão no apê dos amigos e mudar para lá convinha. Não por conforto, já que quando cheguei éramos em 6 marmanjos dormindo juntos: João, Sérgio, Toninho, Valmir, Baiano e eu. Mas durou pouco esse sufoco: logo 3 deles se descolaram para outras paragens e ficamos apenas o João, o Sérgio e eu.

Rue Alexandre Dumas

Rue Alexandre Dumas

O apê, embora minúsculo, até que era legal… bem situado, defronte a um açougue de carne de cavalo, a quitanda de um árabe e próximo às estações do metrô Alexandre Dumas e Nation. A mobília é que eram elas… não tínhamos nada, apenas colchões de solteiro, duas cadeiras e uma espécie de carteira escolar encontrada no lixo, porque em Paris as caçambas espalhadas pelas ruas podiam conter verdadeiros tesouros…

Putz...  e a senha?

8567? 7568? 5678? putz…

Só foi difícil a primeira noite: como cheguei de madrugada e esquecera a senha para abrir o grande portão do prédio, fiquei prá fora – e acabei tendo de voltar à estação prá dormir na companhia dos pitorescos clochards, que adormeciam abraçados às suas garrafas de vinho

Tem lugar prá mais um?

Ei… lugar prá mais um?

Cité Universitaire de Paris

Cité Universitaire de Paris

Mas aí sim, devidamente instalado, começou de fato a minha vida parisiense… para comer ia diariamente ao restaurante da Cité Universitaire, onde eram servidos bandejões “estudantis” a um bom preço. Era longe porém prático, já que a cidade contava, além do metrô, com trens rápidos de longo percurso, os RER.

Partout !

Partout !

Também havia espalhados pelos bairros outros restaurantes universitários, todos acessíveis e com direito a queijos brie.  Gostava muito do de Mabillon.  O problema é que mesmo baratos custavam dinheiro. E os francos que obtivera ao cambiar as liras que trouxera de Roma aos poucos se esvaíam, até porque a vida era mais cara em Paris.

sem  os damascos, bem entendido.

… só que sem os damascos

Bir Hakeim

Bir Hakeim

Então o jeito era, em pleno frio do outono, acordar cedo e ir consultar os anúncios de emprego que ficavam afixados em colunas num centro de apoio conhecido por Bir-Hakeim, praticamente aos pés da Torre Eiffel. Mas era uma merda: ficava lotado de estrangeiros se empurrando, esperando a abertura dos portões.

Vamos trabalhar...

Vamos trabalhar…

Quando estes abriam, a boiada estourava prá anotar os telefones dos parisienses que procuravam por domésticas, baby-sitters, garçons e coisas do gênero. E depois saíam todos esbaforidos à procura do telefone público mais próximo. Percebi que daquele jeito nunca iria conseguir nada de interessante, porém ainda não tinha nenhuma outra boa idéia. Assim, continuava indo lá…

Mon chèr Beaubourg

Mon chèr Beaubourg

Difícil era aprender o francês. Não que se trate de uma língua árdua, mas é que no começo tudo é difícil… Então passei a ir todas as tardes ao Beaubourg, nome carinhoso pelo qual é conhecido o Centre Georges Pompidou, para tomar lições gratuitas de francês, gravadas em fitas e à disposição dos estrangeiros. A arquitetura do local já me impressionava, nunca vira algo assim: um edifício enorme, com a tubulação exposta no exterior e pintada em cores vibrantes.

très jolie !

très jolie !

Alice no país das maravilhas

Alice no país das maravilhas

Dentro, a surpresa era ainda maior: uma moderníssima mescla de biblioteca, videoteca, discoteca, hemeroteca, salas de exposições, lanchonete e outros que tais, tudo num ambiente permissivo e iluminado pelo fato de as paredes serem de vidro. Eu adorava ir ali.

Superbe !

Superbe !

E foi ali que logo nos primeiros dias, enquanto estávamos o Emerson e eu explorando os livros da biblioteca, uma linda francesinha sorriu para mim. Ao apresentar-me, ela me disse chamar-se Isabelle e convidou-me para tomarmos algo no bar, lá embaixo na calçada. Certamente fui, mas… como conversar sem saber uma palavra de seu idioma? Até hoje não sei, mas sei que duas pessoas interessadas sempre se entenderão numa situação dessas.

ainda que em esperanto...

ainda que em esperanto…

Rodas do trem?

Rodas do trem?

E lá íamos pelas ruas da milenar capital – ou por baixo delas, já que o metrô de Paris é onipresente. Durante minha estada na cidade, minha relação com o metrô sempre foi muito estreita – desde o primeiro dia, quando me embasbaquei ao vê-lo rodando não sobre rodas, mas pneus. Íamos com ele para todos os cantos e vivíamos em suas velhas e charmosas estações.

Estação e palco

Estação e palco

Então tivemos a idéia de aproveitar isso para ganhar algum e partimos para cantar em suas dependências… N’algumas vezes quem tocava o violão era o Emerson, noutras o João, e em todas eu cantava junto. Desfiávamos nosso repertório de MPB e sempre utilizávamos a técnica de “quem não tá na cantoria joga a moeda prá chamar freguesia”. Não dava lá muita grana… mas quebrou um galho enquanto não tínhamos nada. E seguramente serviu para estabelecermos muitas novas amizades.

Los 3 amigos

Los 3 amigos

Velhinho, porém enxuto !

Velhinho, porém enxuto !

Foi numa dessas andanças que uma tarde, ao adentrar o submundo do metrô deparei-me com uma simpática antiguidade: a título de comemoração de alguma data que já não lembro, haviam posto prá rodar uma composição do antigo metrô de Paris, carinhosamente chamado de “L’Artiste”.

João & Walter

João & Walter

Pois comemorações havia quase todos os dias…  tinha a macarronada na casa dos amigos italianos, o cous-cous marroquino na casa de amigos árabes (que se comia com as mãos, todos sentados em roda), o João que nas reuniões vivia dizendo “agora é a tua vez de levantar e ir comprar o vinho” e os romances, que insistiam em acontecer.

Alline

Alline

Em dezembro, conheci uma atraente morena de nacionalidade argelina, chamada Alline, e passei a dormir mais na casa dela, em Couronnes, do que na minha. Foi ali que fizemos uma festa em que todos se pintavam uns aos outros e virou uma salada geral, já que não havia como evitar que rolassem drogas pesadas, até heroína… Incrivelmente todos sobreviveram, inclusive eu.

Pére-Lachaise

Pére-Lachaise

Quando não ia de metrô, para chegar à casa de Alline eu tinha de passar defronte ao intrigante Cimetière du Père-Lachaise… até que um dia resolvi explorá-lo. Com que espanto fui adentrando aquele enorme e secular recinto, diferente de todos os cemitérios que já havia visto.

Morrison's grave

Morrison’s grave

Père-Lachaise era admirável, raízes enormes de árvores por sobre túmulos, gente famosa enterrada ali, como Edith Piaf, Alan Kardec, Jim Morrison e muitos outros. Eram tantos os mortos ilustres que à entrada era distribuído um guia de ruas com a localização das tumbas das celebridades… No jazigo de Morrisson, anos após sua morte havia fãs em campana. No de Kardec, uma profusão de flores frescas.

& Kardec's

& Kardec’s

Café

Café

Mas não só lá… Paris transpirava celebridade por todos os lados. Quão prazeiroso nos era sentar num daqueles pitorescos cafés de esquina, com seus garçons com aventais até a canela, e imaginar que por ali – quem sabe – já passara Proust, Freud, Maupassant, Molière ou qualquer outro luminar cujo nome estava em alguma daquelas sugestivas placas de rua.

Tous mes idoles...

Tous mes idoles…

Très belle!

Très belle!

A arquitetura da cidade, com seu estilo Belle Époque, evocava dias de intensa atividade artística e cultural num passado não tão distante. Mas Paris era muito mais velha que isso, e qualquer coisa poderia ter acontecido naquele chão desde os tempos em que a região se chamara Lutèce.

Antiguidade...

Antiguidade…

O barato sai caro...

O barato sai caro…

No dia 3 de janeiro de 1983, talvez compelido pela emoção do ano novo, fui a uma cabine telefônica que ficava na esquina da nossa rua, Alexandre Dumas, com a Avenue Phillippe Auguste e apliquei no telefone o “Truque do Durex”. Era uma artimanha para falar sem pagar, bastando inserir na ranhura de 5 francos uma moeda de 1 franco presa em linha de costura com fita adesiva. Quando dava contato era só imobilizá-la na posição, prendendo a linha no corpo do telefone com outro pedaço de fita. Funcionava que era uma beleza. Cheguei lá devia ser uma da manhã e comecei a fazer ligações para amigos de vários países onde o horário local permitisse, sobretudo do Brasil.

Devassável...

Devassável…

Ocorre que a cabine era tripla, e as três divisões tinham apenas vidro entre uma e outra. Então sucedeu que, lá pelas quatro da manhã (é… já estava lá há umas 3 horas…), entrou na cabine ao lado um senhor negro. Não fiz muita questão de esconder o que estava fazendo, mas isso provou ser um dos maiores erros que cometi na Europa. Não se passaram dez minutos e já um homem abria a porta com violência, dizendo “C’est la Police”. Gelei, mas era tarde demais.

Hmmm... fudeu

Hmmm… fudeu

O policial pediu minha “Carte de Sejour” (visto de permanência). Eu não tinha. E então declarou “Vous venez avec moi, vous êtes arresté!”. (O senhor vem comigo, está preso!). E eu estava em cana! Ao me carregar pelo braço até a viatura, onde outro policial aguardava, ele me disse: “Quem te entregou foi o negão”. Não fazia grande diferença… o fato é que quem cavara o buraco para cair dentro houvera sido eu mesmo.

Durma se puder...

Durma se puder…

Fui levado para a delegacia e jogado numa cela juntamente com uma senhora que para louca faltava pouco. Deviam ser cinco da manhã e me disseram que às nove me levariam para outro local. A mulher gritava e eu não me conformava de ter feito semelhante besteira (ter-me deixado flagrar, bem entendido). Era uma zueira. Minha cabeça estava a um milhão e apesar disso nada havia que eu pudesse fazer senão esforçar-me por esfriá-la.

Tá com pressa de que?

Tá com pressa de que?

Mas em vão. Quatro horas após, quando deu nove e cinco comecei a esbravejar com os carcereiros, argumentando que eles haviam prometido me tirar dali às nove horas. Eles riam. Por fim, lá pelas dez, fui algemado à doida senhora e levado numa viatura a outro local, onde fui encarcerado sozinho numa cela. Ali fiquei sem saber o que viria, mas desconfiando que seria deportado.

Manhê!!

Manhê!!

Quando me vi em silencio, comecei a ficar mal, deprimido, assustado, desesperado. Fui piorando! Não tinha a menor idéia de quando iria sair dali, se iria sair dali, ou o que mais aconteceria. Foram alguns dos piores momentos que já vivi. Por fim, quinze horas após ter sido pego, quando eram sete da noite vieram me buscar e me levaram à presença do delegado. Ele me disse que o telefone seria revisado, a conta das ligações calculada e a fatura me seria enviada. Se eu pagasse tudo bem, caso contrário voltaria a ser procurado pela policia. Dito isso, me soltou. Atônito, fui prá casa e devo ter dormido umas 24 horas seguidas, ao final das quais acordei ainda estressado…

Era aqui, mas há era...

Era aqui, mas já era…

Entrou fevereiro, fazia frio e em alguns dias chegava a cair uma neve fina. De tanto procurar, acabei encontrando um emprego no Bar du Bac, que ficava na Rue du Bac: todas as tardes, lá pelas 18:30, antes do bar fechar eu chegava, virava todas as cadeiras por sobre as mesas, varria o chão e o esfregava com um pano molhado. Era um serviço sujo, mas alguém tinha de fazê-lo. Por essa época, prá ganhar uns trocos o Emerson andava dando uma de animador cultural infantil em L’Haÿ-les-Roses, e nós vivíamos pensando em formas de aumentar os proventos.

Hummm... preciso de grana!

Putz… grana!

João Vagareza

João Vagareza

Um amigo, o João Vagareza (João Antonio dos Santos), antes de partir para o Brasil havia me deixado uns moldes de gesso e algumas ferramentas para a fabricação de flautas de barro. Ele me disse: “isso me sustentou em Londres, então quero deixar para um amigo”. E veio uma manhã especialmente para me dar uma aula sobre técnicas de fabricação. Aprendi, mas como era meio difícil fazê-las havia encostado toda aquela tralha.

Porém uma tarde, enquanto tomávamos une demi bière num café do Boulevard Saint-Germain, surgiu uma conversa entre o Emerson e eu que selaria nosso destino na cidade…

Ótima idéia! Vamos bebemorar...

Boa idéia! Vamos bebemorar.

Eu – Cara, precisamos unir forças prá ganhar dinheiro!
Ele – O que precisamos é fazer algo prá vender…
– Que tal aquele brinquedo de madeira… aquele macaquinho que fica pulando num barbante quando a gente aperta as traves?
– Sei… mas e aqueles moldes de flautas que o Vagareza te deixou?
– Tão lá… nunca usei.
– Então vamos tentar, pô!

A nossa era parecida

A mais parecida…

E partimos para a primeira tentativa de fabricar ocarinas, artesanato de barro que com o formato (no caso das nossas) de pequenas tartarugas eram as fiéis depositárias de nossa esperança de dias melhores… Fomos à loja Rougier & Plé, compramos um saco com 5 kg de argila cor de areia e fomos para casa por em prática os sumários ensinamentos que o Vagareza havia me passado… Após várias frustrações enfim conseguimos fabricar uma ocarina que, quando soprada, produzia som.

Marché aux puces de Paris

Marché aux puces de Paris

Êba! Faltava encontrar um forno onde cozê-las. Batalhamos até conseguir isso também. E então partimos para tentar vender nossa primeira fornada no Marché aux Puces (mercado das pulgas) de Saint-Ouen, pela Porte de Clignancourt. Ficamos lá uma tarde inteira e quando estávamos quase desistindo, eis que surgiu um comprador, disposto a desembolsar 4 francos pela novidade.

Sim, dá prá viver com isso...

Sim, dá prá viver com isso…

Vendemos a primeira das milhares de flautinhas que encheriam de acordes o ar de Paris e nos proporcionariam um estilo de vida alternativo que foi perfeito para curtirmos os melhores dias de nossas vidas, com dinheiro, liberdade, amizades, romances, festas e loucuras em geral.

Voilà le Printemps

Voilà le Printemps

Não bastasse isso, fui surpreendido pela primavera! Foi-se a neve, o frio e sem aviso Paris explodiu em flores, cores, artes e cultura prá todos os lados. Desatento à troca das estações, demorei um pouco prá entender o que estava acontecendo. Em cada esquina um show… mágica, mímica, música, pintura.

Beaux-arts

Beaux-arts

Tous les couleurs

Tous les couleurs

Tous les tons

Tous les tons

Em cada vagão do metrô alguém dando algum espetáculo. Em cada estação, ponto turístico, por toda a cidade multiplicavam-se os vendedores de artesanatos – e dentre eles estávamos nós, com a nossa mercadoria.
Bach? Chopin?

Bach? Chopin?

Cena comum...

Cena comum…

Era realmente uma revolução o que estava acontecendo. Parecia até que havia mais gente nas ruas! Eu, que já vinha simpatizando com a capital francesa havia 5 meses, apaixonei-me de vez… não podia acreditar no que via. Era bom demais estar ali, participando daquele êxtase sensorial.

Atelier

Atelier

Aí sim passou a dar gosto nosso métier de artesãos / vendedores de ocarinas. Pelas tardes nos reuníamos em casa para produzir… Era um trabalho delicioso de manipular a argila e dar-lhe as formas de um instrumento musical que era ao mesmo tempo um brinquedo. Contribuía a tornar estas sessões de trabalho interessantes o fato do João (futuramente João Figar), que vinha de uma linhagem de artistas sul-matogrossenses que incluía Almir Sater, Geraldo e Tetê Spindola, tocar divinamente o violão e fazer um fundo musical de primeira linha com canções do centro-oeste e do resto do Brasil.

Emerson en jouant

Emerson en jouant

João en chantant

João en chantant

Aliás, foi por esses dias que eu, em estreita convivência com o Emerson e o João, ambos violonistas, passei a interessar-me por aprender o instrumento. Com a ajuda do Emerson, desbravei os primeiros acordes (de Rain and Tears, de Demis Roussos), venci as dificuldades iniciais e, bem ou mal, toco até hoje.

Chiquinho

Chiquinho

Sérgio

Sérgio

Mas havia outros amigos que estavam sempre por lá… O Vanderlei, O Chiquinho, além dos antigos habitantes do apê: Toninho, Valmir e Baiano. Foi inclusive por esta época que, motivados pelo nosso sucesso nas vendas, o Chiquinho e o Sérgio decidiram partir, eles também, para a confecção e venda de ocarinas. Mas a sociedade composta pelo Emerson e eu era mais regular… produzíamos e vendíamos todos os dias, quase sem exceções.

Elcião ceramista

Elcião ceramista

Emersão artesão

Emersão artesão

S'imbora trabalhar...

S’imbora trabalhar…

Se fabricá-las já era bom, vendê-las é que era nossa grande curtição. Quando caía a noite, pegávamos o lote de flautas que já estava seco (por sugestão do Emerson, havíamos abolido a etapa do forno), colocávamos todas numa bolsa juntamente com um veludo cor de vinho e partíamos para os pontos turísticos da cidade. Lá chegando, descolávamos uma caixa de papelão qualquer, a cobríamos com o veludo e ali dispúnhamos nossa produção. Enquanto eu tocava, o Emerson abordava a clientela. Era sucesso quase sempre.

Rara foto da empresa...

Rara foto da empresa…

La nuit c'est un enfant!

La nuit c’est un enfant!

Aprendi a tocar várias canções que, no timbre agudo da ocarina, chamavam a atenção de quem quer que passasse por perto. Executava Greensleeves, can-can e até a marselhesa (que por sua letra belicista despertava antipatia nos franceses jovens).
O dia tá ganho!

Ueba! O dia tá ganho

Enquanto isso, o Emerson ia atendendo a todos, vendendo a mercadoria e enchendo os bolsos de valorosas notas e moedas.  Muitas vezes juntava gente, muitos turistas estrangeiros, e era sempre uma curtição. Ao final fechávamos a banca, repartíamos a féria auferida e partíamos rapidamente prá alguma gandaia, já que quase diariamente havia uma…

O "Banco do Brasil"

O “Banco do Brasil”

A essa altura já tínhamos feito muitos amigos, e toda noite nos reuníamos para passar ótimos momentos juntos. Havia um local onde vários brasileiros se concentravam, o qual denominamos “Banco do Brasil”: ficava defronte “La Croissanterie”, no 168 do Boulevard St. Germain e era na verdade um simples banco de madeira, desses de calçada.

Ali era um ponto de encontro que vivia lotado de cores, já que nossa presença acabava por atrair amigos de todas as raças, numa saudável confraternização cosmopolita.

Presque toutes les nuits

Presque toutes les nuits…

Desde sempre...

… desde sempre

Paris era uma eterna festa e nunca fui tão notívago quanto neste ano. Até virei poeta, não ia a lugar algum sem carregar meu caderno de versos o qual, infelizmente, perdi e só sobraram duas obras, a primeira não das mais alegres:

 

Nossa realidade / é chama que arde / e roubando este tema / do teu poema / eu quero dizê-lo: / adorei tê-lo / hoje, sombria tarde

e a segunda, uma alegoria:

 

Um vento refresca a Itália
Embala-a qual fosse um cântico
E cheira a café-de-coador
E vem do outro lado do Atlântico
De fato a fascina, esse vento
Que traz qualquer coisa de etéreo
Que lembra feijão com arroz
E vem lá do outro hemisfério
.
A Itália, menina, adormece
Desnuda, sonhando contente
Entrega-se aos braços de um vento
Que é filho d’outro continente
Não sabe a Itália, tão pura
Que o vento tem más intenções
E dorme, ofegante e segura
Não o sente encostar-lhe os culhões
.
Mas eis que estes são encostados
E quente é o contato cutâneo
E goza e geme a Itália
No meio do Mediterrâneo
E ficam assim, vento e Itália
Os lençóis a dupla ensopa
A Itália, coitada, dormindo
E o vento envergonhando a Europa
.
No entanto é o sol moralista
E logo levanta a alvorada
A Itália desperta, confusa
Do vento ninguém sabe nada
E passam-se os anos e os séculos
Países tem gestação lenta
Mas chegam as dores à Itália
Que, incauta, ainda lamenta:
.
“Ah vento, ah vento malvado
Infame, vil e pequeno
És maldito por teres sujado
As minhas costas no Tirreno
E não só as minhas costas sujastes
Também minha honra e meu leste
Pois ‘inda se sente o teu cheiro
De Bríndisi até a Trieste”
.
Alheio às lamúrias da Itália
O parto, porém, se inicia
Alarga-se o colo de Roma…
… a Régia Calábria se amplia
A Itália, sofrendo, se agita
E um vento lhe vem à lembrança
Enquanto desponta no mundo
Sicília, a bela criança
.
Do pai nunca mais ninguém soube
A Itália o maldiz e desdenha
Mas eis que milênios depois
Surgiu a pequena Sardenha
Porém são segredos da Itália
Que a nós não nos cabe saber
Pois negra é a noite no mar
E o dia demora a nascer
.
O VENTO E A ITÁLIA

.

Rubão, Elcio, Caderno & Emerson

Rubão, Elcio, caderno & Emerson

Rubão, Tania, Elcio & seu caderno

Rubão, Tania, Elcio & caderno

Fecha que lá vem o rapa!

Fecha que lá vem o rapa!

Mas nem tudo eram flores… o som persistente da ocarina podia ser irritante, nós éramos imigrantes ilegais e mais de uma vez tivemos problemas. Numa feita foi um balde d´água vindo de uma janela indiscernível, na Rue Saint Andre des Arts… doutra foram os seguranças de um magazine popular, em Barbés-Rochechouart, que chegaram chutando a banca e espalhando cacos de flautas prá todo lado. Emersão quis gritar, mas de cima eu falei: “Os home tá com a razão, nóis arranja outro lugar”.  Porém o perigo mesmo era a polícia. Quando eles conseguiam nos surpreender não só perdíamos a mercadoria como acabávamos em cana. Já estávamos até nos acostumando.

Riacho do navio, corre pro Pajeú...

… allez, les amis!

E não só pela venda das ocarinas éramos alvos das autoridades… Uma vez estávamos tocando e cantando numa esquina quando começou a juntar gente, o João segurou a onda e depois passou o violão para o Emerson que, com seu extenso repertório de baiões, transformou aquilo num verdadeiro carnaval, com gente de todas as nacionalidades pulando alucinadamente.

Um pouco menos...

Um pouco menos…

Já eram altas horas quando chegaram les flics (os policiais)… lançaram bombas de gás lacrimogêneo e prenderam o tocador com algemas, violão e tudo. Inconformada, a turba seguiu o furgão até a delegacia e exigiu, aos berros, que o soltassem – o que acabou acontecendo ao cabo de algumas horas de pressão popular. Isso era inacreditável para mim, um brasileiro criado na ditadura.

Vive la fête!

Vive la fête!

Quando não eram nas ruas, as festas eram nos squatters, prédios abandonados invadidos. Essas eram as melhores, onde de tudo rolava um pouco. Teve uma em que rolou um cantil de sabe-se lá o quê que deixou todo mundo aparvalhado… numa outra o Emerson fez a proeza de ficar com duas mulheres em sequencia na mesma noite, era uma fartura. E todas iam até o dia raiar.

Ueba, uma cama!!

Ueba, sexo!!

Lembro-me de uma em especial porque foi num barco, ancorado em algum ponto a montante do Sena, a oeste da cidade. O astral estava ótimo, era minha primeira festa num barco e acabei enrolado com uma brasileira que estava tão doida quanto eu. Em busca de privacidade fomos para o deck superior, onde encontramos um quarto vazio com uma mais que convidativa cama de casal. Mal o havíamos invadido e o dono da festa apareceu furibundo, expulsando-nos dalí, naquilo que hoje denominaríamos uma típica atitude empata-foda. Aliás literalmente, porque cortou nosso barato… Até hoje acho que quem não quer ter seus aposentos invadidos que os tranque ou que não dê festas.

Kalunga, anos 80

Kalunga, anos 80

Era já final de abril e tive a grata surpresa de receber a visita de meu querido amigo Carlinhos Kalunga que, vindo do Brasil via EUA em companhia de outro amigo brasileiro, o Bira, chegava à França para tocar na banda de Roberto Leal, famoso artista português. Acompanhei-os até Arpajon, onde estavam hospedados, e pude empregar meu incipiente francês para auxiliá-los na compra de instrumentos, no Boulevard de Clichy, em Pigalle. Embora tosco, por essa época meu francês já dava pro gasto… Foi muito bom tê-los ali e saber notícias frescas do Brasil, de meus pais e de minha terra, Santo André.

Pigalle

Pigalle

Servicinho, hein?

Servicinho, hein?

Que bicho é esse ??

Meu Deus !

Muitas coisas eram surpreendentes para mim na capital francesa: as assustadoras burcas negras  que passavam pelas ruas ocultando as mulheres do Islã; as caninettes, motos equipadas com aspiradores para limpar cacas caninas das calçadas; os banheiros públicos automáticos que funcionavam com moedas e quebravam um galhão; o fato de os operários de uma obra lavarem o barro dos pneus dos caminhões antes destes voltarem à rua; e as maravilhas como o Arco do Triunfo, que ficava ao centro de uma praça à qual convergiam 12 avenidas; o Museu do Louvre, um recinto imenso repleto do melhor que a humanidade já produziu e tantas, tantas outras coisas…

Nunca foi tão fácil !

Nunca foi tão fácil !

Duca!

Duca!

Le Louvre

Le Louvre

Que tá passando?

Que tá passando?

Era cultura por todos os lados… Às quartas-feiras era dia de estréias nos cinemas de toda a cidade. E para mim foi uma grata surpresa descobrir que em Paris cada cinema tinha sempre 5, 6 salas passando diferentes filmes. Em São Paulo, por aquela época, raros cinemas eram assim. E então aproveitávamos! Numa das vezes em que fomos assistir a um destes filmes, deparamo-nos com nada menos do que a estréia de The Wall, do Pink Floyd. Se na sala de projeções já entramos chapados, dela saímos em alfa… Foi um filme que caiu como uma bomba sobre a cabeça de todos, não havia como deixar a poltrona incólume.

Trans pirante

Trans pirante

Marie, petite sorcière

Marie, petite sorcière

E como todos tínhamos a vida solta… os romances não paravam de acontecer.  O Emerson, por esses dias havia praticamente se mudado para a casa da Marie, na Rue des Trois Frères, subida de Montmartre, onde aperfeiçoava seus estudos de I-Ching.

Vem prá cá que aí já acabou

Vamos dormir lá em casa…

E houve uma garota brasileira que numa noite, ao sairmos de uma festa, foi parar na mesma estação de metrô que nós. Estávamos em plataformas opostas, quando avisou-se que na dela não haveria mais trens, então a convidamos para ir dormir lá em casa. Sem opção, ela topou.  Na hora de dormir, sobrou de ela ficar ao meu lado… e foi o enrosco mais elaborado que já tive na vida, porque ficamos umas duas horas nos esbarrando, silentes, até que as coisas engatassem…

Violaine & Elcio

Violaine & Elcio

Creio ter sido também por esta época que, andando pelas ruas, o Emerson e eu conhecemos duas parisienses. Enquanto ele se acertava com Isabelle, Violaine e eu viemos a ter um caso que, dentre outras alegrias, me proporcionou um bom aprofundamento no idioma francês. Namorar uma nativa é uma excelente maneira de se aprender uma nova língua.

Arapucas

Arapucas

Mas como tudo o que é bom dura pouco, a vida começou a ficar difícil em Paris por aqueles dias… Pelas estações, recrudesciam as blitz dos policiais em busca de estrangeiros em situação irregular. Virava-se uma esquina subterrânea e – bumba – dava-se de cara com um comando armado.

A cobrança...

A cobrança…

Não bastasse isso, a minha em particular tornou-se insustentável porque em junho finalmente chegou a conta do telefone: exorbitantes Fr 4.500,50, os quais me demandariam a venda de exatas 562 flautinhas para serem quitados. E a comida, o aluguel? Impensável. E por umas três vezes aconteceu de eu chegar em casa e a concierge (zeladora) do prédio me dizer “Mas o que está acontecendo? A polícia esteve aqui hoje novamente à sua procura”. Se me pegassem, eu estaria frito.

Île de la Cité

Île de la Cité

Aí comuniquei ao meu sócio, Emersão, que para mim era chegada a hora de deixar Paris, sendo que o próximo destino seria Londres. Numa longa confabulação na Île de la Citè ele então sugeriu que acelerássemos a produção das ocarinas, vendêssemos todo o estoque para fazer um pé-de-meia e partíssemos para a Inglaterra. Acatada a idéia, foi o que fizemos.

Estoque...

Estoque…

Place du Tertre, só alegria

Place du Tertre, só alegria

E então, dadas as circunstâncias, partimos para vender nossa grande produção com maior agressividade ousando n’alguns dos melhores pontos de Paris, alguns que nos eram proibidos até então, como a deliciosa Place du Tertre, em Montmartre. Trata-se de uma encantadora pracinha, ao lado da igreja do Sacré Coeur, no alto do único morro da cidade, onde se reúnem artesãos de todas as estirpes.

Fé eu Deus & Pé na tábua

Fé em Deus & Pé na tábua

E demos um gás total, apesar de eu ter me enroscado com mais uma paquera, o que frustrou um pouco as estratégias comerciais do Emerson. Mas ao final valeu a pena e conseguimos juntar a grana de que necessitávamos para mudar de país.

Paris, vista de Montmartre

Paris, vista de Montmartre

Assim, no dia 4 de julho de 1983 deixamos o porto de Calais e com ele o solo francês, que tantas alegrias e delícias nos havia proporcionado. Estávamos a caminho da Grã-Bretanha, onde a estada do Emerson seria curta e a minha seria dura. Mas isso é outra história, separada desta pelas águas do Canal da Mancha, particularmente tormentosas naquela tarde.

Adieu, les amis

Adieu, les amis

Grato por tê-lo vivido

Grato por tê-lo vivido

de Paris
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24 Comentários

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24 Respostas para “MINHA VIDA EM PARIS

  1. Érica

    Elcio, depois me ensina á fazer ocarinas…

    Acho que aos 24 anos, aida dá tempo de embarcar em algumas aventuras fora do Brasil.

    🙂

    Bjos Tio!

    Conta mais…

  2. Chiquinho Oliveira

    Acabo de chegar de Paris e ler seu post.
    O tempo mudou mas a amizade e a curiosidade nos levam a ver, rever e ler histórias maravilhosas como a sua.
    Abraço amigo.
    Chiq

  3. Valeu a espera, superou minhas expectativas!!! Não consegui parar de ler até chegar nesse poético final.
    Beijos, Kátia.

  4. Elcio, grande e querido amigo de tanto tempo…

    Sabia que voce era um ótimo jornalista e conhecedor do nosso idioma como poucos, motivo pelo qual me senti orgulhoso em te-lo como revisor gramatical do meu pequeno trabalho a respeito do Tietê, o “Pirahy”.
    Sabia tambem que voce gostava de coisas radicais de vez em quando, mas ao ler suas aventuras na Europa fiquei pasmo com tanta riqueza de detalhes da sua passagem pelo velho continente e a maneira apaixonante de contar suas peripécias.
    Confesso que tive muita inveja, mas, lendo o Blog, me senti juntinho de voce em todos os lugares que percorreu, me fazendo estar la na Europa que sempre sonhei conhecer…
    Parabens e um grande abraço do amigo
    Erasmão

  5. Carlinhos kalunga

    Aow,Élcio…que maravilha….voltei lá…Sentí até o cheiro…
    Que orgulho ter participado nem que seja um pouquinho só dessa intensa aventura que foi a tua passagem pela França.
    Tenho por você o mais profundo respeito !
    Beijos, velho amigo…e, por favor , que venham outros posts!!!!
    Kalunga.

  6. Querido Élcio,

    A sua história em Paris me lembra o Hemingway, Henry Miller e também o Somerset Maughan. São deliciosas aventuras, principalmente por não se ter compromissos e tampouco dinheiro.
    Quando me lembro de você, ainda menino, trabalhando na Rhodia como office-boy, serrando cigarros dos mais velhos, mal poderia imaginar que você seria um cara porreta e corajoso, capaz de se aventurar pelo velho mundo sem um puto no bolso.
    Confesso que cheguei a planejar uma viagem dessas, mas faltou coragem. Parabéns.
    Estou esperando o restante da história.

  7. Pedro Fernandes Filho

    Elcio,
    Estive no seu blog por apenas 2 horas. Vou ter de voltar muito mais vezes. Sempre bom relembrar amigos e lugares.
    Mas surpresa mesmo foi ver ZENIT.POLAR, que, sério, há várias décadas nao ouvia falar, mas estava armazenado na memória.
    Fiquei triste em saber que o Toninho faleceu e tantos outros amigos que conheci/conhecemos.
    Gosto e uso muito uma frase, praticamente igual a uma que vc usa : “Quando se quer se cria a facilidade, quando nao se quer se cria a dificuldade”.

    Abraços Pedro

  8. josé de mello júnior

    Olá Elcio. Realmente eu já sabia parte de sua odisséia. Contudo, a aventura somada à sua retórica é assaz aprazível. Mais do que “rodar” o mundo, voce teve a capacidade de concatenar o cotidiano à guisa de transformá-lo numa eterna aventura. Voce é um “eterno viajante”. Voce profanou o marasmo e, com isso, nos deu de presente sua vivacidade imorredoura. Mais uma vez… Parabéns !!!

  9. lucia tavares

    Agora só falta fazer o filme. Roteiro já tem. 😉

  10. josé de mello júnior

    Elcio; quando voce se referiu ao “Toninho de Santo André”, sería este mesmo cara um grande amigo meu (irmão de arma), com quem serví o Exército ? O “nome de guerra” dele – salvo engano – era Hélio. Era moreno claro, tinha os olhos verdes, extremamente alegre e inquieto. Submeteu-se a uma cirurgia para extração de “gânglios” do pescoço e faleceu na mesa de operação ? Por favor, me esclareça se se trata da mesma pessoa. grato.

  11. Cara, isso vira um livro hein!!!!
    Parabéns pelo blog.
    Abs

  12. Que viagem, hein! Naveguei gostosamente aqui por algumas horas entre as histórias saborosas, o texto deslizante e as fotos de encher os olhos. Delícia! Beijão.

  13. Andréa Lopes

    Anos incriveis, hein Elcio?!!!
    Diz aí, como é que está sendo colocar todas estas lembranças no “papel”?

    Bjo gde

  14. Edson Zéca da Silva

    Elcio, querido mascote!
    Era assim que nós, no diretório acadêmico da Fundação Santo André, nos referíamos a você. Admirávamos sua ousadia de pegar um avião e se mandar pra europa.
    Que maravilha, hoje, ler o relato de tão fascinante experiência de vida !
    Você me disse, ao telefone, que jogou suas fichas nesse relato por não ter escrito um livro, não ter plantado uma árvore e não ter tido um filho. Ora …
    esse relato é um belíssimo livro. Escrito com muito talento e elegância. Quanto ao filho, depois de tantas namoradas, acho bem possível que tenha ficado um thenorinho lá no velho mundo. Como modesta contribuição, quando você quiser plantar uma árvore, me disponho a ajudá-lo, é o meu ” metier “.
    Parabéns, Arabal. Grande abraço.
    Zéca

  15. Amigo Elcio,
    As maravilhosas aventuras no velho continente ganharam vida em seu delicioso texto. Eu não pude evitar a emoção. A surpresa de ver as fotos incríveis que você conseguiu resgatar (imagens que eu acreditava só existiam “ormai” em minhas velhas lembranças) Uau! Não pude evitar o turbilhão de sentimentos e imagens, sobretudo das coisas belas que vivemos: pessoas maravilhosas, lugares incríveis, momentos inesquecíveis, muito afeto e amizade; eram os últimos suspiros dos coloridos anos setenta. A nossa luta pela vida, as longas caminhadas, as conversas francas e profundas, as cidades que “conquistamos”, as linguas que tivemos que aprender. Tudo isso ficou muito mais fácil e interessante, quando, depois de Roma, unimos nossos passos (quase desencontrados na Suiça!). Por estarmos juntos, foi muito melhor e mais rico. Desde aquela noite no Fonclea em que a Cris (maravilhosa amiga) nos apresentou, até a despedida em Heatrow, fomos irmãos, fomos amigos e soubemos saborear tudo que a vida podia oferecer, numa época mágica que se foi. Que bom que você e eu ainda estejamos aqui. E sempre Amigos.
    Parabéns pelo Blog e pelo registro de suas maravilhosas aventuras.
    Do velho amigo Emersão

  16. Tennyson de Magalhães

    Caro amigo, se assim me permita;

    Procurando por “thenorius” para uma brincadeira com um amigo, eis que deparo com sua narrativa, a qual me prendeu toda a atenção de algumas horas de trabalho, mesmo ocioso que vivo por vezes a esperar, lendo a mesma do iníco ao fim com incursões por quase todas e principalmente as imagens inseridas ao longo da mesma; que riqueza de vida foi vivida por você, quanta vontade e coragem para uma aventura e até mesmo fazer uma viagem que seja inspirado em sua agora saudosa juventude. Parabéns e obrigado por me tomar este tempo!

  17. Cláudia

    Tão bom saber mais de vc através dessas histórias deliciosas, cheias de imagens, sons, cheiros, cores, sensações… E o melhor é saber que, de onde veio essas histórias, muitas outras virão a se materializar em textos para igualmente desfrutarmos.
    Muito bom te ter por perto, sempre, ainda mais com o blog. Bjo enorme.

  18. calenza

    sensacional.

  19. Gostei muito da sua página, das histórias, viagens etc…parabenssss…..

  20. vitorio

    Elcio, será que ainda existe o mundo em que você viveu tantas aventuras.
    Eu sempre pensei em fazer uma mochilada dessas.
    Acho que ainda farei uma com fralda geriatrica.
    Adorei cada palavra que vc escerevu aqui.
    Bom garoto.
    bjs.

  21. sylvia leite

    Elcio,

    Dá vontade de não parar mais de ler. Por que não faz um livro?

    bjs
    Sylvia

  22. Pingback: CALEA ULTIMA

  23. Eduardo

    Estou indo morar na França, tenho 20 e poucos anos, os tempos são outros, mas espero que possa ter parte das boas experiências de vida que você teve.

  24. capitaomor

    Que maravilha, Eduardo. Tenho certeza de que vc ir viver momentos inesquecveis. Boa viagem. Elcio

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