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SUR LA TOUR (alegoria atemporal)

recém-construída

... então zerada...

Microbureau

Microbureau

No topo da Torre Eiffel, num minúsculo bureau envidraçado, sentados em torno à mesa conversavam Eiffel e Edison, um caro convidado. Entre goles de absinto, alinhados em seus ternos circunspectos, comentavam os feitos de Santos Dumont… “um prodígio”, como insistia o americano.

Dumont du haut

Dumont du haut

Tsc tsc tsc...

Tsc tsc tsc...

Elegante, lá fora, também estava Dumont. No pulso ostentava o relógio de sua invenção, produzido por Cartier, enquanto subia a escada para o seu dirigível n° 9.  A nave, qual fiel animal, pacientemente flutuava, amarrada a um poste da Rue des Tuileries.  Em visita a Paris, solitário num café a cem passos dali, refletia Freud sobre as cartas que recebera de Jung, seu discípulo.  Balançava a cabeça em desaprovação.

Entra música: Bach – Jesus Alegria dos Homens

João Sebastião Bar

João Sebastião

Era um tempo em que os fatos da Europa refletiam-se na obra para cravo de Bach.  Graham Bell havia dado voz ao cidadão, com o telefone, ao passo que Marconi amplificava essa voz ao mundo com as ondas mágicas do rádio, recém-descobertas por Hertz.

darwolução

darwolução

Foi por essa época que Darwin afrontou os homens, expondo-lhes seu passado simiesco. E Marx rascunhava um sonho que moveria milhões… outros haveria que moveriam bilhões, como os de Ghandi e Luther King, mas isso ainda estava por vir.

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Entra áudio de época: Primórdios do Jazz

Dos dois homens que lá nos céus baforavam seus charutos o mundo jamais se esqueceria.

... e sem soldas

... e sem soldas

Edison havia dado à luz o sol elétrico, em meio a tantas outras contribuições (ouça-se o fonógrafo), e Eiffel concebera e construíra aquela torre… do alto altíssimo da qual confabulavam.  Realizador como Ford, que numa esteira rolante criou a linha de montagem, proveu o mundo de rodas e de quem se diz haver dito:  “Meus veículos, podem comprá-los na cor que desejarem, desde que seja preto”.  Consta que o tempo nunca o demoveu da idéia.

cabeça, tronco & rodas

cabeça, tronco & rodas

V3

V3

Se Ford deu rodas à Terra Von Braun pavimentou-lhe o universo. Mas a imensidão que se descortinou aos olhos de Hubble já estivera na mente de Einsten.  Aliás, como previra Nostradamus.  E o engenho humano cresceu apoiado nos ombros de gigantes, nas palavras de Newton, ele também uma chave do futuro, como fora Leonardo, com suas musas preciosas e suas máquinas de guerra.  Na mesma Florença em que Michelangelo, esculpindo la Pietà, feria o mármore.

Pedra ?

Pedra ?

Volta música clássica: Mozart – Sinfonia No. 31 em Ré Maior, K297

Américàvista!

Américàvista!

Tudo isso se dava após Vespúcio (confiante nos segundos do cronômetro, grande invenção de Harrison) singrar mares e oceanos.  De seu nome nasceria a América.  Nas cortes européias, o tempo – andante mezzo forte – já era então de Mozart.

será que vem bomba?

será que vem bomba?

Tudo são números, dizia Pitágoras, pouco antes que  Aristóteles lançasse os fundamentos do milênio sombrio da Idade Média, que nos conduziu ao renascimento de Rafael, ao impressionismo de Van Gogh e ao modernismo de Andy Wharol, na Nova York de Woody Allen (e Bin Laden).

Sim, tudo!

Sim, tudo!

Se as últimas palavras de Buda foram “tudo é impermanente”, então talvez Confúcio estivesse certo quando disse:

Já era! (1)

Já era! (1)

“Há homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde”.  Que o diga o Dr. Barnard, que teve de viabilizar a troca dos corações estressados.  Quão estressado terá sido o coração de Napoleão, conquistando num dia o mundo para no outro ser largado à morte numa ilhota do Atlântico?  Sim, ilustríssimo Planck, o tempo, imenso, pode também ser deveras ínfimo.

Já era! (2)

Já era! (2)

Troca música: Louis Armstrong – What a Wonderful World

E o que dizer de Armstrong?

–    Louis Armstrong?, o grande Satchmo ?

...3 ...4

...3 ...4

–    Não.
–    Lance Armstrong, que derrotou o câncer pedalando?

prá esquentar

prá esquentar

–    Nem. Neil Armstrong, que pôs nossos pés na lua, nosso primeiro passo no espaço. Afinal, não é este post comemorativo dos 40 anos deste feito?…

quicotô fazendo aqui?

quicotô fazendo aqui?

Troca música: Pink Floyd – The Dark Side of The Moon

Pink & Floyd

Pink & Floyd

Sim, a lua decantada por Waters e Gilmour, num mundo inda não devassado pelo Google.  E pensar que foram necessários mil anos, depois de Eratóstenes calcular o volume da Terra, para se descobrir que sua densidade média é de 5,2 g cm3. (a da Terra, não a de Eratóstenes, bem entendido)  Francamente!…

Mas afinal tudo é óbvio, como bem nos provou Colombo com seu ovo, antes de dar nome à Colômbia.  Melhor inda será o que jaz no porvir.

'xá comigo!

'xá comigo!

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TRIBUTO A SIMONAL

Dinheiro bem empregado

Dinheiro bem empregado

Imperdível !

Imperdível !

Claudio Manoel

Claudio Manoel

Em cartaz nos cinemas de São Paulo está um documentário, da lavra do “Casseta & Planeta” Claudio Manoel, que resgata a história de um dos ícones da Música Popular Brasileira, Wilson Simonal de Castro.

Não só por considerá-lo um primoroso levantamento que abrange parte dos anos que vivi, mas por ter-me emocionado inúmeras vezes ao assisti-lo, quero deixar aqui minhas considerações.

O Bronco

O Bronco

Já de cara agradou por trazer-me de volta o sorriso do grande Ronald Golias, aplaudindo enquanto Simonal cantava, a seu lado no palco.  Quando criança, quanto não ri das hilariantes tiradas que Golias sempre tinha, em seu nonsense delicioso.  Mas ali falava-se de Wilson Simonal, o cabo do Exército que vindo das bases do povo alcançou o ápice do sucesso a que um artista pode almejar.  Sequer sabia que Simonal fora tão grande.

Chico Anísio

Chico Anísio

Nelson Motta

Nelson Motta

Toda sua vida, sua carreira, ascenção e queda, são descritas por brasileiros da mais alta estatura, como Chico Anísio, Nelson Motta, Pelé, Ziraldo, pessoas que ao longo da vida aprendi a respeitar.  E ainda outros, não menos simpáticos, como Jaguar, Miele, Paulo Moura e Tony Tornado, unânimes em afirmar que Wilson Simonal foi injustamente execrado pela mídia e por seus pares, a classe artística nacional.

Pelé

Pelé

Ziraldo

Ziraldo

Simonal foi o protagonista de uma vida de tragédia.  Tendo conhecido a fama, a opulência, o reconhecimento e a glória, acabou em desprezo, doença e morte – ao que tudo indica provocada pela mágoa. Pelo álcool sim, mas este destilado na tristeza de ver voltar-se contra ele um país que o houvera amado e aclamado.

Miele

Miele

Tony Tornado

Tony Tornado

Num momento maior da obra, os documentaristas trazem à tela o pivô do declínio do artista, o contador que supostamente o houvera roubado, dando início à sucessão de equívocos que culminariam com sua ruína.  Para meu espanto, seu depoimento é absolutamente revelador quanto ao que com ele se passou nos porões da ditadura e o envolvimento de Simonal no episódio.
Jaguar

Jaguar

Paulo Moura

Paulo Moura

Talvez por ser contemporâneo desta história, talvez por vê-la contada de forma tão magistral, fiquei consternado com a sina do intérprete de “Meu Limão, Meu Limoeiro”.  Doeu-me vê-lo, ao final, esquálido e à beira da falência apresentando-se em atuações minúsculas, que nem de longe lembravam o fausto de seu passado. Ou quase aos prantos no programa Hebe Camargo desafiando quem apresentasse provas de que ele tivesse deveras denunciado alguém.

“Wilson Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei” é o retrato doloroso de um drama humano como poucos, que envolve num mesmo crisol a arte, a política, a injustiça, o olvido e a morte.

Jair Rodrigues

Jair Rodrigues

Por fim, comoveu-me uma das derradeiras cenas em que num recorte de jornal sob o título “Artistas ignoram o enterro de Simonal” vê-se a foto de Jair Rodrigues, ao velar seu caixão baixando à sepultura…  nem todos o abandonaram.

Descendo a rua da ladeira, só quem viu pode contar…

100% documentário

100% documentário

Não perca!  Assista ao trailer.

Vá!  Saiba onde ver.

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CINEMA E EMOÇÕES

Meigo e triste

Meigo e triste

Na rua em que moro há nove salas de cinema. Acabo de chegar de uma delas, onde assisti a um drama de extrema delicadeza: “O Visitante”, que aborda a questão das imigrações ilegais nos Estados Unidos e do amor na terceira idade.

Assombra-me o quão profundamente tocado saio de uma sessão de cinema. Não me refiro aqui a qualquer filme, mas a Cinema. Por um tempo após subirem os créditos ainda me sinto enlevado, envolto num’aura de sentimentos fugidios, fugidos de algum lugar que costuma ter as portas trancadas, dentro de mim.

Caminho calado, buscando explorar ao máximo cada segundo daquele êxtase fugaz, que sei se dissipará ao som das primeiras buzinas, à luz dos primeiros faróis, à força das primeiras inquietações.

Mas enquanto perdura revela-me horizontes ocultos de mim mesmo, relembra-me sensações há muito esquecidas, desperta-me desejos grandiosos e por vezes até enche-me de uma esperança inesperada.

Vitória pela recusa

Vitória pela recusa

Vitória pela tenacidade

Vitória pela tenacidade

Jamais vou esquecer o que senti ao final de “Gandhi”. Até aquele momento eu não sabia que a força de um homem pode deter um império, e esta revelação ampliou os meus limites. Ou quando as luzes se acenderam após “Um Sonho de Liberdade”, fazendo-me ver algo óbvio, mas que não via: a perseverança pode ser a chave do sucesso. “Mar Adentro” fez-me reconhecer o quão afortunado eu era de poder ter meu corpo em movimento. E todas essas emoções chegam numa inundação, tomando os espaços do pensamento e só aos poucos vão-se esvaindo no nevoeiro da percepção habitual. Não há como retê-las.

Vitória pela sublimação

Vitória pela sublimação

Trata-se de atingir um outro nível de cognição, um patamar superior, quase um toque noutra realidade, ainda que com os mesmos pés no mesmo chão. É como drogar-se apenas de emoção e por um curto tempo eu não sou o sólito eu.

Mas não são só os grandes filmes que tem este poder. Não se trata de tamanho, mas de sensibilidade. Pequenas produções que traduzem grandes dramas humanos também fazem-me rir, temer, chorar e questionar. Sobretudo, fazem-me sentir coisas que não sinto no passar dos dias. Que não sinto quase nunca, ainda que todas estejam lá… sepultas em algum ponto indefinível do meu ser.

Às vezes é uma recordação da infância, noutras o afã de melhorar o mundo, ou uma paixão arrebatadora, ou ainda uma alegria que invade a alma… como se fosse um vendaval que revolve as folhas do chão e depois passa, devolvendo-as ao solo. Mas se é grande a obra, é grande o sentimento. E não importa tratar-se de realidade ou ficção, o que vale é o que ela demonstra, o que provoca, o que deixa em mim.

Raros, tais momentos me são caros. Sinto-os ao máximo e com intenso carinho e respeito, porque me fazem lembrar que sou muito maior do que costumo ser. Por alguns minutos, fica claro que há muito mais do que consigo ver. Que por estar vivo tenho muito mais do que acredito ter.

Para mim o cinema é o portal de uma outra dimensão que, longe de ser irreal, está sempre ao lado, mas sempre oculta por algum véu que não nos é dado levantar a qualquer hora. Louvados sejam os Lumière e os bons diretores, que por vezes fazem vibrar minhas fundações e me lançam cara a cara com o infinito do meu eu.

Palco e platéia

Palco e platéia

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TERMO DE ABERTURA

Eu mes

Eu mes!

Ora, bloguemos, pois!  E por que não?

Bem… na verdade consigo, sim, imaginar alguns motivos para NÃO blogar, senão vejamos:

1) Trata-se de um modismo e eu ando avesso a modismos
2) Acabarei por revelar que estou mal-informado. E sendo um jornalista… pega mal!
3) Não dá mais prá escrever em português sem voltar prá escola
4) Nada de importante tenho a dizer. Será mais um blog medíocre

Procurando, vou achar não 5 mas 5000 motivos para NÃO fazê-lo!

Idéias ao Cosmo

Idéias ao Cosmo

Por outro lado (sempre há outro lado) considero que o que tenho a dizer (quando acordado quase sempre tenho algo a dizer…  às vezes até dormindo, mas é bem mais raro…) pode, sim, vir a ser muito útil. Senão prá mais alguém ao menos prá mim mesmo. Afinal, trata-se de uma excelente terapia ocupacional que, de quebra, lança idéias no cosmo. Alguma há de prestar, cáspita! Fora isso, convenhamos, blogar… se é um modismo, veio para ficar.

Sou fã da frase que diz “Quem quer fazer encontra um meio, quem não quer – uma desculpa”. Pois… !

Vem cá, minha filha...

Vem cá, minha filha...

Então estamos aqui, desnudando-nos em público, de forma a não deixar velado qualquer recôndito de nossa alma sôfrega. Ou quase nenhum, já que até Cristo haverá tido lá seus segredinhos.  (Aliás, dizem que uma tarde, sozinho com Maria Madalena… bem… mas isso é outra história…)

Falando na primeira pessoa do plural, encontramos um pouco mais de coragem do que se disséssemos “estou aqui desnudando-me em público…”, forma todavia ainda mais nua. De qualquer maneira, melhor falar na primeira do plural do que na terceira do singular, como faz o Pelé ( …é que ele gosta assim, entende? ).

ET, o outro...

ET, o outro...

Este blog é divagante, um livre exercício de expressão. Um receptáculo onde anelo lançar fatos, feitos, fotos, ficções, e fixações. Dele não espero nada, exceto que sirva de plataforma para lançar-me ao infinito e à posteridade. Com sorte, se nenhum testa di cazzo deletá-lo do servidor, ouso supor que perdurará por eras após minha partida. E quem sabe um dia será ainda decifrado por algum ET invasor.

Mas não assumo compromissos, sequer com a realidade. Mesmo porque depois de ler a obra completa de Castañeda passei a encarar a realidade como algo muito relativo. Até pegar o jeito, meus textos tenderão a ser bem egocêntricos, sobre babados meus… mas quem sabe ampliá-los-ei às crônicas comportamentais e do dia-a-dia, que isso sim sempre achei bem legal.

Portanto, dedos à obra e sendo lusófonos escrevamos no único português que (por enquanto) conhecemos, aquele arcaico, utilizado no Brasil até 31 de dezembro de 2008. Quando um dia tiver saco, hei de parar para entender as modificações que à minha revelia foram feitas em nossa lingua-mãe (ou será linguamãe, ou lingüa-mãe… não… o trema caiu. Putz, bota saco nisso). Mas agora estou com preguiça!

Eita, sodade...

Eita, sodade...

O certo é que digito com mais rapidez e mucho másss tesão no português que aprendi na cartilha “Caminho Suave”, e que utilizo até hoje.  O idioma, não a cartilha.

E aqui vai nossa primeira prestação de serviços:
Os interessados em entender as novidades, cliquem: Nova Ortografia

Meia-noite, por hoje basta. Hora de alternar eletrodomésticos e lançar-me ao ócio improdutivo e delicioso da TV a cabo. Com controle remoto!! Boa noite Terra!

Uahhhh... soninho!

Uahhhh... soninho!

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